Empresas do RJ compõem a maior fatia do Ibovespa

O Estado de São Paulo tem o maior Produto Interno Bruto (PIB) do País, mas essa força produtiva não se reflete em igual proporção na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Apenas 30% da carteira atual do Ibovespa é representada por companhias paulistas. Na Bolsa, quem vem na frente é o Rio de Janeiro, com uma fatia de mais de 45%. O PIB brasileiro foi de R$ 963,868 bilhões em 1999, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do total, cerca de R$ 550 bilhões estavam na Região Sudeste. São Paulo respondia por R$ 336 bilhões, ou 35% de todo o País. O Rio vinha em segundo lugar na região e no Brasil, com R$ 110 bilhões, ou 12%. As posições vêm sendo mantidas pelo menos desde 1996. As informações de 1999 por região são as últimas compiladas pelo IBGE. Duas ações exercem papel fundamental nessa supremacia: Telemar e Petrobrás. Juntos, os papéis preferenciais (sem direito a voto) dessas empresas respondem por quase 23% do peso do Ibovespa. As ações mais fortes de São Paulo são Telesp Celular e Bradesco, com cerca de 10%. "A Bovespa é extremamente concentrada e pouco representativa industrialmente", diz o presidente da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec) Nacional, Humberto Casagrande. O executivo afirma ainda que a estatística permite algumas exclusões, como o caso da Petrobrás, que, em sua visão, é uma empresa internacional. ResquícioOutro fator apontado é a força das multinacionais em São Paulo. "Essas companhias já possuem o capital aberto em outros lugares, e não têm interesse de fazê-lo aqui." O gestor de Renda Variável do Banco Safra, Valmir Celestino, ressalta o aspecto político da Bovespa. Ele lembra que as principais empresas cariocas, incluindo Eletrobrás e Vale do Rio Doce, foram ou ainda são estatais. "A questão política é forte nesse caso, numa espécie de resquício da época em que o Rio ainda era a capital do Brasil." A geografia também entra na análise de Celestino. "As companhias exportadoras, como Petrobrás e Vale do Rio Doce, ficam perto de portos." Para Casagrande, da Abamec, o fato de o País possuir poucas empresas com muito peso na Bolsa é uma característica de mercados emergentes. "É até uma questão de cultura. O capital aberto não é disseminado no País." A terceira região mais representativa da Bovespa - e a nona colocada no PIB - é o Distrito Federal, com 10% e R$ 20 bilhões, respectivamente. As estrelas da região são a empresa de telefonia Brasil Telecom e o Banco do Brasil. Minas Gerais, terceiro maior PIB do País (R$ 90 bilhões), ocupa a quarta colocação na Bovespa, com peso de 6%. O destaque é a elétrica Cemig. Depois de Minas, seis Estados ocupam posições marginais, de cerca de 1%, na Bolsa. São eles: Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo e Santa Catarina.

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