Empresas dos EUA apóiam Brasil na Rodada Doha

O Brasil ganha aliados inesperados pela liberalização do comércio agrícola mundial com a alta dos preços das matérias-primas (commodities). Empresas de alimentos e até de tabaco dos Estados Unidos vão pressionar a Casa Branca nas próximas semanas para que aceite dar aos países emergentes maiores cotas para exportar produtos agrícolas ao mercado americano. O Itamaraty estima que esse é o melhor momento desde 2001 para que a Rodada Doha (processo para a liberalização comercial dos países-membros da Organização Mundial do Comércio - OMC) seja concluída. A estratégia do governo é clara: fazer de tudo para que o atual cenário de lucros no setor agrícola seja perpetuado em um acordo na OMC. A tese não é compartilhada pelos importadores de alimentos.Nos Estados Unidos, o açúcar acumula uma alta de 27% nos últimos 12 meses. "Queremos ter mais acesso às commodities produzidas com custos baixos", afirmou Marietta Bernot, executiva da Mars, maior empresa de chocolates do mundo e que depende do açúcar e do cacau para fabricar seus produtos. "O problema é que o consumo de açúcar nos Estados Unidos é de 9 milhões de toneladas por ano e temos o direito de importar apenas 1,1 milhão de toneladas de países como o Brasil. Se essa cota fosse aumentada, nossos custos de produção cairiam", afirmou a executiva."Vamos pressionar o governo americano por uma ampliação dessa cota", disse Bernot, que quer um acordo agrícola na OMC ainda este ano para que a pressão inflacionária seja reduzida. Para importar fora da cota, os americanos teriam de pagar uma sobretaxa de 150% sobre o produto brasileiro, o que não compensaria. Os Estados Unidos insistem que o Brasil deve abrir seu mercado para os produtos industrializados dos países ricos como forma de "pagar" pelas concessões no setor agrícola. OtimismoNo governo brasileiro, o sentimento é de otimismo diante dos preços internacionais das commodities. Para os diplomatas, a realidade é que, com a alta, americanos e europeus estão reduzindo seus subsídios e um corte nas leis geraria menos resistência. A estratégia brasileira é clara: assegurar que a situação dos mercados se transforme em lei na OMC. Ou seja, aproveitar que os subsídios estão baixos e distorcem pouco o mercado internacional para que sejam congelados nesses níveis.

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