NICHOLAS KAMM / AFP
NICHOLAS KAMM / AFP

Empresas dos EUA sentem impacto chinês

Para compensar tarifas por conta da ‘guerra comercial’, grupos aumentaram os preços

Agências internacionais

05 Novembro 2018 | 05h00

Empresas norte-americanas estão compensando os efeitos da escalada de tarifas comerciais para a China com aumento de preços ou mudanças em suas cadeias de fornecimento, mas alertam investidores que o cenário pode piorar no ano que vem.

Tarifas diminuíram o transporte de madeira e grãos, elevaram o custo de itens que vão de cabides para roupas a materiais pesados, além de terem comprimido margens para fabricantes de chips e ferramentas, entre outros impactos. Esses efeitos foram descritos em números e comentários de 75% das companhias da S&P 500 que divulgaram resultados ao mercado.

“O efeito negativo está espalhado”, diz Binky Chadha, estrategista-chefe de ações global do Deutsche Bank. Ainda assim, ele acrescenta, o impacto até o momento é modesto.

As preocupações com tarifas ocorrem em meio a sinais de desaceleração no crescimento dos lucros e vendas das empresas. Em média, o lucro por ação das companhias do S&P 500 no 3.º trimestre pode crescer 27,1% na comparação com o mesmo período de 2017 – se confirmado, será o 3.º trimestre seguido de ganhos acima de 25%, conforme dados da empresa de informações financeiras Refinitiv. Analistas acreditam que ao menos um terço desse ganho trimestral vem do corte de impostos, efeito que não deve se repetir no ano que vem.

As receitas dos grupos do S&P 500 devem subir 8%, ainda acima do normal para os últimos anos, mas mais lento que o ritmo dos últimos três trimestres.

Olhando para frente, analistas e economistas destacam que o crescimento da economia global desacelerou, particularmente na Europa e na China. “Provavelmente, parte disso é devido à imposição de tarifas e à guerra comercial”, diz Chadha. “Mas parte disso já ocorreria de toda forma”, acrescenta.

Companhias estão lidando com tarifas comerciais impostas à China, assim como com a imposição sobre as importações de aço, alumínio, madeira e outros. Se as tarifas saltarem para 25% sobre as cerca de US$ 200 milhões de importações chinesas que hoje enfrentam tarifa de 10%, conforme ameaça o governo do presidente Donald Trump, isso poderia reduzir o crescimento das empresas do S&P 500 em 2 a 3 pontos porcentuais.

Impacto. Grandes grupos já afirmaram que as tarifas têm gerado redução na demanda por produtos enviados para a China a partir dos EUA. De acordo com a empresa de madeira, Weyerhaeuser Co, as exportações para a China caíram com a tarifa de 5% imposta em setembro, apesar da sólida atividade de construção no país. A gigante do transporte férreo Union Pacific disse que o aumento sazonal no transporte de grãos não se materializou, em parte pelas tarifas chinesas. Já a Caterpillar Inc. afirmou que as vendas sofreram, e que suas operações de manufaturados em ambos os países reduziram a exportação.

Mas alguns grupos informam que aumentar preços, como muitas companhias já fizeram, leva tempo e nem sempre é possível. 

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