Empresas em busca da cultura corporativa

Para consultora, numa companhia, sistemas e funcionários têm de falar a mesma língua

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h07

A importância do trabalho de marca para a sobrevivência de um negócio já é consenso entre executivos e empresários. No entanto, é preciso ter a coragem de dar um passo além, segundo Carolyn Taylor, autora do livro 'Walking the Talk' e sócia da consultoria em cultura corporativa de mesmo nome, com sede em Londres.

Para Carolyn, os processos, sistemas e funcionários da empresa têm de falar a mesma língua para que a imagem de uma corporação seja entendida de maneira consistente por parceiros e consumidores. Para atingir essa harmonia entre o discurso da marca e a prática do dia a dia, as organizações também precisam ter a coragem de promover mudanças.

"É necessário que os valores de uma companhia possam ser facilmente reconhecidos por seu público", diz Carolyn, que tem como sócia na consultoria Walking the Talk a brasileira Cristina Nogueira. Mesmo negócios estabelecidos há muito tempo muitas vezes precisam de ajustes de percurso, segundo ela. Uma cultura voltada para o bem-estar das pessoas pode precisar de mais atenção à competitividade, assim como companhias que se concentram somente no resultado final às vezes necessitam ir além de ofertas monetárias para reter talentos. "É preciso encontrar espaço para pessoas com pensamentos e perfis diferentes, para que essa injeção de sangue novo seja possível", explica Carolyn.

Parceria. A Walking the Talk já vem trabalhando no País. Hoje, presta serviço para grandes companhias como Bunge, Itaú BBA e BM&FBovespa. Agora, a aplicação de sua metodologia de cultura empresarial ganhará fôlego no mercado brasileiro com a associação com a consultoria Atma - Cultura e Marca, dos sócios Susana Arbex e Luiz Fernando Giorgi. O objetivo é aplicar o conceito de cultura corporativa desenvolvido por Carolyn e Cristina - que inclui gestão de pessoas, processos de inovação, busca de resultados e relacionamento com o cliente - de uma forma estruturada, para que as empresas possam perceber o resultado no longo prazo de forma clara.

Para medir as vantagens concretas de uma cultura bem definida, a Atma vai criar um índice que medirá como os hábitos e comportamentos de um negócio influenciam em seu resultado final. Serão analisadas entre 10 e 15 empresas brasileiras. O objetivo é mostrar se existem potenciais ainda não explorados pelas companhias e se os modelos de administração têm flexibilidade e agilidade para reagir rapidamente a mudanças e desafios.

As deficiências podem estar no relacionamento com o cliente, na superação de resultados, no tratamento das pessoas ou na inovação, por exemplo. Segundo Giorgi, os ajustes necessários provavelmente vão variar conforme o setor de atuação e o perfil de cada companhia.

O trabalho da Atma vai combinar consultoria em marca com cultura corporativa, já que uma esfera tem influência sobre a outra. Ambas, aponta Susana, exigem que as companhias façam escolhas. "Não dá para uma empresa querer melhorar em todos os aspectos: relacionamento com o consumidor, gestão de pessoas, inovação e ainda exigir resultados melhores", explica a sócia-executiva da Atma.

A liderança, no entanto, precisa identificar prioridades para que a real identidade do negócio seja perceptível em todos os pontos de contato com o cliente. "Não adianta só fazer propaganda e dizer que uma determinada marca tem foco total no cliente se o atendimento do call center é péssimo", exemplifica.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.