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Empresas esbarram em cultura e custos para melhorar gestão

Acúmulo de cargos por profissionais e demora no retorno dos aportes são os principais desafios das companhias

Malena Oliveira, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2015 | 05h00

Os benefícios trazidos pela melhora na gestão de empresas são tão unânimes entre especialistas quanto os custos, muitas vezes altos, de implantar esses processos. As mudanças que eles envolvem também são outro ponto crítico, pois as transformações são profundas e se dão na raiz dos processos.

Diretor financeiro da Murah Technologies, empresa especializada em sistemas de auditoria e gestão, Jonas Moriki diz que o investimento precisa ser gradual para não matar o negócio. Atendendo a clientes como Embraer e Lojas Marisa, ele destaca que é preciso trabalhar a cultura da organização para receber essas estruturas: “Às vezes, as tarefas são tão centralizadas que conseguir a informação certa com a pessoa certa é o principal desafio”, diz.

Apesar desses obstáculos, empresas investem em estruturas cada vez mais sofisticadas de governança em busca de transparência e profissionalização. A demanda foi constatada por um estudo da consultoria Deloitte feito com 103 companhias brasileiras, sendo que a maioria pretende abrir o capital em até três anos. Sócia da consultoria, Camila Araújo defende que essas mudanças valorizam o patrimônio da empresa. “Muitos inferem que governança é igual a custos, que reduzem a margem e, em consequência, o resultado. Entretanto, governança é o oposto disso”, diz.

Em 27% das companhias que responderam à pesquisa, os cargos de presidente executivo e do conselho de administração são ocupados pela mesma pessoa: “Há um impacto na independência do conselho, pois há poucas críticas sobre as decisões”, destaca Camila. O código do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) destaca que o acúmulo de funções prejudica os negócios, pois pode levar a conflitos de interesse.

Produtor de frangos de Maringá (PR), o grupo GTFoods investe mais de R$ 1 milhão na profissionalização dos negócios para obter financiamento via fundos e abrir o capital na Bolsa. Dentro de seis meses, o conglomerado terá conselhos de família e de administração. “Estamos fazendo a separação entre o patrimônio da família e o da empresa”, diz o diretor financeiro do GTFoods, Vitor Bellizia.

Além disso, outras ferramentas também serão implantadas, como acordo de acionistas, código de ética e auditoria trimestral de balanços.

Com receita de R$ 1,8 bilhão prevista para 2015, o grupo começou o plano em novembro. Feitos os ajustes iniciais, haverá despesas permanentes com a remuneração dos conselheiros, auditoria (contábil e de processos) e serviços de consultoria.

Porém, para empresas nesse estágio de maturidade, a parte mais cara é a implantação de sistemas de gestão, diz o sócio da consultoria Grant Thorthon, Luciano Bordon: “Esse processo custa mais, pois altera a estrutura da companhia”, diz.

Mesmo cogitando a listagem no Novo Mercado (segmento com o mais alto nível de governança da Bolsa), o GTFoods prefere esperar “o Ibovespa voltar aos 70 mil pontos”, diz Bellizia. Por enquanto, o objetivo é a listagem no Bovespa Mais (segmento para pequenas e médias empresas) em 2016.

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