Empresas espanholas teriam perdas de 3 bi

As novas medidas do governo argentino, que desvalorizaram a moeda do país em quase 30% (a cotação passou de 1 peso por dólar para 1,40 peso), afetaram diretamente as ações das maiores e mais importantes companhias espanholas, que investiram US$ 41 bilhões entre 1990 e 2000 no país.As perdas com a desvalorização e com a "pesificação" na proporção de um por um das tarifas de telecomunicações, água, gás, esgoto e energia estão sendo calculadas entre US$ 1,5 bilhão e US$ 3 bilhões. As empresas que mais devem sofrer com o impacto das medidas de emergência do governo são a Telefónica, Repsol YPF, Endesa e os bancos Santander Central Hispano (BSCH) e Bilbao Vizcaya Argentária (BBVA). Assim que assumiu a presidência do país, o presidente Eduardo Duhalde determinou a seu ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, a pesificação das tarifas e de todas as dívidas dos argentinos até o limite de US$ 100 mil. Isto é, cada argentino que pagava, por exemplo, uma conta de 50 pesos (em dólares) todo mês pelo serviço de telecomunicações ou de energia, continuará a pagar os 50 pesos, e, em pesos, sem a desvalorização dos quase 30% que sofreu a moeda argentina a partir desta segunda-feira. Com o "monopólio" nas bolsas (devido ao maior peso nos mercados espanhóis), as ações das principais companhias espanholas que compõem o Ibex 35 na Bolsa de Madri mostraram uma forte desvalorização no primeiro dia útil depois de anunciadas as medidas pelo governo argentino. O principal índice da bolsa espanhola, que não despencou mais porque a maioria das ações de outras empresas operaram o dia sempre no patamar positivo, fechou em queda de 3,38%. Os títulos da Repsol YPF despencaram 7,8%, os do Santander Central Hispano, -4,37%; os da Telefónica, -4,4%; os do BBVA, -3,25%; e da Endesa, -1%.Governo espanholNo final de semana uma cruzada de empresários e banqueiros espanhóis invadiu a Argentina. O chefe do governo espanhol, José María Aznar, ligou diretamente para o presidente argentino Eduardo Duhalde. Aznar fez uma férrea defesa dos investimentos de empresas e bancos espanhóis e exigiu que se cumpram os acordos firmados a uma década entre os dois países. E pediu para que não se modificasse o modo de calcular as tarifas públicas. Segundo o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, o diálogo entre Aznar e Duhalde foi duro e tenso. ?Estamos quebrados?, chegou a dizer Duhalde para justificar as medidas econômicas que iria adotar.Após a entre Aznar e Duhalde foi a vez de Lenicov receber o telefonema do ministro da Economia da Espanha, Rodrigo Rato. A conversa foi igualmente dura e tensa. Lenicov justificou que depois dos panelaço e dos mortos, as empresas espanholas não teriam espaço.Rato lembrou que as empresas espanholas que controlam os serviços públicos na Argentina teria grandes perdas com a desvalorização.A edição de domingo do jornal Clarín lembra que o ex-primero ministro espanhol, Felipe González, conseguiu em dezembro de 1999 evitar uma desvalorização, fazendo com que as empresas espanholas fechassem o balanço anual com o peso valendo um dólar e, assim, garantindo o lucro.

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