Nacho Doce/Reuters
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Empresas estão pessimistas com o ambiente econômico do País, diz FGV

Pesquisa mostra que 59% das empresas industriais consideram ambiente macroeconômico negativo a investimentos em 2015

Idiana Tomazelli, Agência Estado

11 de março de 2015 | 08h51

(Atualização às 9h48)

RIO - A avaliação das empresas industriais sobre o ambiente macroeconômico interno do País no ano corrente é o que mais tem potencial de deprimir investimentos produtivos este ano, mostrou a Sondagem de Investimentos da Indústria de Transformação, divulgada hoje, 11, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). No primeiro trimestre de 2015, 59% das companhias apontaram esse fator como um impacto negativo sobre os aportes, enquanto 15% disseram que a influência seria positiva.

O saldo de -44 pontos porcentuais entre as duas parcelas é o pior resultado já registrado para este fator, incluído na pesquisa em 2011. Segundo a FGV, 669 empresas dessa atividade participaram do levantamento divulgado hoje. No primeiro trimestre do ano passado, o ambiente macroeconômico era ruim para os investimentos na visão de 40%, enquanto 27% o apontavam como um bom aspecto.


A percepção sobre as condições de crédito também piorou em relação ao ano passado. Segundo a FGV, 35% das indústrias avaliam esse fator como negativo aos investimentos, enquanto 11% percebem influência positiva. Trata-se do pior saldo entre as respostas (-24 pontos porcentuais) em seis anos, informou a instituição.

As avaliações para 2015 também estão piores em relação à demanda interna. A sondagem mostra que 38% das empresas percebem esse fator como algo positivo sobre os investimentos produtivos, contra 47% no primeiro trimestre de ano passado. Enquanto isso, 35% avaliam que a demanda interna é ruim para os projetos, resultado 10 pontos porcentuais superior ao de 2014.

A situação econômica externa, por sua vez, foi apontada como influência positiva em 2015 por 14% das empresas. Outros 32% citaram esse aspecto como negativo. Já a taxa de câmbio foi avaliada como favorável neste ano por 19%, enquanto 42% classificaram como desfavorável.

O nível de demanda externa foi o único quesito que melhorou na passagem de 2014 para 2015. No primeiro trimestre deste ano, 23% das indústrias de transformação citaram esse fator como positivo aos investimentos, contra 21% em igual período do ano passado. Houve ainda redução da fatia de empresas que consideram esse aspecto desfavorável, de 18% em 2014 para 17% neste ano.

A Sondagem de Investimentos é um levantamento estatístico trimestral que fornece sinalizações sobre o rumo dos investimentos produtivos no setor industrial. A coleta de dados para a sondagem divulgada hoje ocorreu entre 12 de janeiro e 27 fevereiro.

Investimentos. Segundo a mesma pesquisa, o porcentual de empresas industriais que ampliaram seus investimentos em capital fixo nos 12 meses até o primeiro trimestre de 2015 caiu para 27%. Um ano antes, essa fatia era de 37%. Já a parcela das que reduziram esse tipo de gasto saltou para 29%, contra 18% no período até o primeiro trimestre do ano passado. 

Para os próximos 12 meses, 27% das empresas planejam ampliar seus programas de investimento, enquanto 31% devem reduzir esse tipo de aporte. É a primeira vez que o número de empresas mais pessimistas supera a fatia das que pretendem investir mais. "A desaceleração sugerida pelas respostas relativas ao passado recente se acentuaria", notou a FGV.

No triênio 2015-2017, a taxa média de expansão da capacidade produtiva está estimada em 15,1%. Além de ser o menor nível desde 2002 (19,5%), quando a pesquisa foi iniciada, o resultado representa uma queda brusca em relação ao previsto para o triênio 2014-2016 (19,6%).

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