Thibault Camus/Reuters
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Empresas estrangeiras investirão € 3,5 bi em três anos na França

Em evento com 140 grandes empresários de todo o mundo no Palácio de Versalhes, Emmanuel Macron 'vende' imagem de estabilidade e competitividade do país frente à instabilidade no Reino Unido, Alemanha e EUA

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2018 | 00h03

PARIS -  Às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente da França, Emmanuel Macron, reuniu nesta segunda-feira, dia 22, no Palácio de Versalhes, uma “cúpula" com os maiores dirigentes de empresas do mundo para seduzi-los a investir no país. O evento, Choose France, tinha como objetivo reunir 100 personalidades do mundo empresarial mundial, da velha economia, como Coca-Cola, à nova, como Facebook, Google e Alibaba, mas agregou 140, que anunciaram investimentos da ordem de € 3,5 bilhões. 

O evento reflete a iniciativa de Paris para reposicionar o país no centro do tabuleiro econômico, em uma iniciativa que vem sendo chamada de “France is back”. O objetivo é afirmar a imagem francesa como a praça mais atraente da Europa no momento em que o Brexit envenena a economia e a vida política do Reino Unido, e que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, perde fôlego como líder política da União Europeia. 

Depois de baixar impostos e realizar a reforma do mercado de trabalho, introduzindo mais flexibilidade para pequenas e médias empresas contratarem e demitirem funcionários, e de preparar a criação de novos direitos para trabalhadores independentes – seguindo o princípio nórdico da "flexi-seguridade" –, o governo de Macron acredita estar começando a colher frutos. “Alguns projetos não teriam acontecido sem as reformas que nós estamos levando adiante”, argumentou ontem, em Versalhes, o porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux.

O encontro com investidores aconteceu a portas fechadas, mas foi repleto de anúncios à imprensa. O principal investimento informado foi o da companhia alemã de software SAP, que anunciou a injeção de € 2 bilhões nos próximos cinco anos na França, dos quais € 750 milhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos tecnológicos. Google e Facebook também prometeram investir no desenvolvimento de inteligência artificial e deep learning no país.

Outro acordo confirmado foi o da Novartis, que decidiu investir € 900 milhões ao longo dos próximos três anos. A gigante farmacêutica informou ainda que entrou em negociações para a aquisição de uma start-up francesa da biotecnologia por € 3 bilhões.  

Setor automotivo. Além da nova economia, indústrias tradicionais também anunciaram novos projetos para o país. O mais importante foi a informação de que a Toyota vai ampliar uma de suas fábricas, situada em Valenciennes, em um investimento de € 300 milhões, que resultará na criação de 750 novos postos de trabalho. Outros € 100 milhões serão investidos no treinamento e requalificação dos operários. O acordo foi valorizado por Macron, que ontem visitou as instalações da companhia japonesa, saudando a iniciativa como uma prova do renascimento industrial da região, que antes sofria com a migração de empresas para países da Europa Oriental, para a Ásia e para a África.

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Em conversa com trabalhadores, Macron saudou a abertura às negociações entre a direção e os sindicatos na fábrica, o que classificou como “cultura do diálogo social e produtivo”. “Se Toyota decide investir € 300 milhões e criar 700 novos empregos permanentes, é porque vocês são bons”, elogiou. “Os franceses são muito inovadores. É preciso que consigamos despertar essa característica.”

No total, os anúncios somaram 2,2 mil postos de trabalho criados. Mas o principal capital agregado pelo governo de Macron foi o político, ao final de uma maratona de mais de 300 reuniões bilaterais entre o presidente, seu primeiro-ministro e 17 ministros com líderes empresariais. No momento em que os Estados Unidos enfrentam a permanente turbulência política causada pelo governo de Donald Trump, em que a britânica Theresa May lida com o Brexit e Angela Merkel tenta sobreviver com uma nova coalizão, Macron tenta se posicionar como referência em política e estabilidade econômica no cenário internacional. 

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Segundo pesquisa realizada pela Câmara do Comércio Americana, a França vem somando ganhos em termos de imagem. Um total de 72% dos investidores americanos ouvidos afirmaram ver uma evolução positiva no país, quando 30% tinham a mesma impressão em 2016. Trata-se do maior índice de aprovação em 18 anos.  

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