Empresas estrangeiras na China deverão criar sindicatos

Pequim obrigará todas as companhias estrangeiras em Cantão a criar sindicatos antes do fim do ano, com o que espera conseguir mais de um milhão de novos filiados, publicou nesta segunda-feira o jornal South China Morning Post. A Federação de Sindicatos de Toda a China, dependente do Partido Comunista e que tem o monopólio do sindicato no país asiático, fixou como objetivo fazer com que 80% das cerca de 300 mil empresas de investimento estrangeiro em Cantão tenham uniões de trabalhadores em 2007.Além disso, esperam conseguir que 60% das companhias privadas na província façam o mesmo. Segundo o sindicato único, a província sulina de Cantão, que monopoliza a manufatura fabricada na China, abriga mais de 17 milhões de trabalhadores imigrantes (um terço do total do país).Com cerca de 70% de sua indústria está nas mãos do setor privado e as violações dos direitos dos trabalhadores são freqüentes, denunciou a Federação, que não permite aos operários organizar sindicatos ou grupos negociadores fora de sua órbita."O objetivo é promover o desenvolvimento corporativo protegendo os direitos básicos dos trabalhadores, que assim estarão mais motivados para trabalhar para suas companhias", afirmou Tang Weiying, presidente do em Cantão do sindicato.No entanto, muitos analistas consideram que por trás desta preocupação com o bem-estar dos trabalhadores se esconde o interesse de Pequim em ter um mecanismo de pressão e influência dentro das companhias estrangeiras, queda-de-braço que finalmente ganhou no ano passado da gigante americana Wal-Mart.A cadeia de hipermercados, que nos Estados Unidos impede seus empregados de sindicalizarem-se, teve que ceder e criar uniões de trabalhadores em vários de seus estabelecimentos em 2006.

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