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Empresas exageraram nos cortes, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que os empresários, "que ganharam muito dinheiro em 2008", exageraram nas demissões após o início da crise financeira global. Ele argumentou que as empresas estão capitalizadas e por isso poderiam evitar os cortes de pessoal. Enfático, Lula cobrou dos empresários "parceria" para enfrentar os efeitos da crise. "Eu acho que exageraram nas demissões e disse isso na reunião com os empresários. Disse isso para a indústria automobilística. Quase todas as empresas brasileiras estão muito capitalizadas", afirmou Lula após visitar, em Recife, a primeira empresa de Aquicultura Marinha do País - um empreendimento de mais de R$ 10 milhões de investimento privado.Pelos números do governo, só em dezembro foram fechadas 654.946 vagas, índice mais alto da história no País. Ontem, pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo informou que a indústria paulista fechou 32.500 vagas em janeiro. Nos últimos 12 meses, o emprego industrial no Estado registrou o fechamento de 54.500 vagas.O presidente relatou que falou pessoalmente com o presidente da Vale (Roger Agnelli) e disse a ele que considerava um absurdo as demissões na companhia. "A Vale tem muito dinheiro em caixa, ganhou muito dinheiro. Ora, é exatamente nesses momentos de dificuldade que os empresários também precisam cumprir com a sua parte", cobrou. A mineradora demitiu 1.300 funcionários no fim do ano passado, alegando retração da demanda mundial.Para Lula, alguns setores da economia brecaram muito rápido a produção, ao invés de realizar uma paralisação paulatina."Ganharam muito dinheiro em 2008. Não é possível que um ou dois meses depois da quebra dos bancos americanos eles (os empresários) tivessem que sair por ai demitindo trabalhadores. O governo está fazendo sua parte. Mas acho que as pessoas precisam aprender que num momento de grande produção a gente ganha muito dinheiro e num momento de crise a gente ajuda quem precisa ser ajudado", disse Lula.Lula voltou a enfatizar a confiança do governo federal na capacidade do País superar os efeitos da crise. Ele relembrou o apelo que fez, em dezembro, aos consumidores brasileiros. "Foi justamente para garantir os empregos que eu pedi para que a população não parasse de comprar. Afinal, se a gente parar de comprar, a indústria para de produzir e os empregos vão embora. Volto a dizer, não achei justas as demissões que ocorreram nos últimos meses", declarou o presidente, que garantiu que já há registros oficiais de recuperação de vários setores entre os meses de janeiro e fevereiro. Ainda segundo Lula, nos próximos meses, o governo irá investir pesadamente na realização de obras.

Monica Bernardes, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

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