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Empresas familiares são mais confiáveis do que estatais

Estudo da consultoria Edelman diz que companhias comandadas pelo fundador têm reputação mais sólida

MALENA OLIVEIRA, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2015 | 02h04

A construção da imagem das empresas no mercado é influenciada pela maneira como seu comando é estruturado. Pesquisa da consultoria Edelman Significa aponta que organizações brasileiras conduzidas por seu fundador, ainda que de menor faturamento, são mais confiáveis do que as administradas por outros profissionais e até mesmo do que estatais. Na sondagem, o índice de confiança nas grandes companhias familiares ficou em 80%, seguido pelas empresas de capital aberto, com 75%. Pequenas e médias empresas familiares obtiveram 72%.

O cenário brasileiro não é muito diferente do de outros países, apesar de o quadro brasileiro ser "um pouco mais dramático", nas palavras de Rodolfo Araújo, diretor de Conhecimento da Edelman Significa. "A influência do capital estatal no setor privado, no caso das empresas de economia mista, acaba corroendo a confiança."

Araújo explica que os públicos se identificam mais com empresas que "carregam o DNA do fundador". Quanto mais esse empresário se faz presente na administração e se mostra como porta-voz da companhia, mais confiável será a instituição: "As empresas familiares são vistas como mais inovadoras, mais atentas a seus funcionários", destaca.

Porém, um aspecto negativo apontado pelo diretor é a pouca atenção que essas organizações dedicam a questões como transparência e comunicação com seus públicos: "O ambiente no mercado de capitais, no contexto das empresas familiares, tem muito mais a complementar do que imaginamos".

Em família. A implantação de boas práticas de gestão em pequenas e médias empresas familiares é um processo custoso, mas que traz resultados no longo prazo. Diretora da PwC especializada em empresas familiares, Mary Nicoliello destaca o que os investidores procuram nessas companhias. "Em uma empresa familiar, olha-se sempre a tríade empresa, família e propriedade. Quanto mais bem estruturada ela estiver, melhor." Ela reforça que os desafios mudam de acordo com o negócio e com a geração da família que o administra, mas "o que não muda é a importância da profissionalização".

O professor de empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Newton Campos, coloca a capacidade de execução e coordenação do trabalho dos gestores acima de qualquer outro quesito: "Se a equipe é boa, pelo menos no começo há confiança", explica.

Desafios. Para a engenheira Camila Hirota, que administra uma firma de empreendimentos imobiliários com o pai, o maior desafio foi separar questões pessoais de profissionais: "É preciso haver um botão de liga e desliga", ilustra.

Por outro lado, José Luiz Hirota, que fundou a companhia há 40 anos, diz que o mais complicado é lidar com as novas gerações: "Eles têm uma maneira diferente de pensar, mas isso é uma vantagem", pondera, considerando chances de inovação.

Para acompanhar melhor seus resultados, o grupo Voitel, especializado em telecomunicação, desenvolveu uma série de métricas: "Tomamos essa decisão há cinco anos por entendermos o quanto era estratégica", explica Pedro Suchodolski, presidente executivo do grupo, há cerca de 15 anos no mercado.

Administrado por familiares, o Voitel criou uma divisão para gerenciar mais de 140 indicadores de performance, que abarcam desde quesitos operacionais do negócio até a aderência às leis e normas regulatórias. Suchodolski afirma que o grupo não pretende abrir o capital no curto prazo, mas admite que já houve "flertes" com um fundo privado de investimento.

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