Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Empresas fazem doações para diminuir impactos do novo coronavírus na sociedade

As iniciativas incluem desde doação em dinheiro, até compra de respiradores, passagens aéreas, álcool gel, sabonetes, colchões e aluguel gratuito de veículos

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2020 | 06h00

Com o confinamento de pessoas e queda na demanda de produtos e serviços, algumas empresas decidiram adotar medidas para tentar diminuir os efeitos do novo coronavírus, principalmente na de saúde. As iniciativas incluem doação em dinheiro para compra de respiradores e testes do covid-19, de passagens aéreas, álcool gel, sabonetes, colchões e aluguel gratuito de veículos.

Na empresa de bebidas Ambev, a decisão foi produzir álcool gel para hospitais públicos das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília – locais com maior concentração dos casos da doença até o momento. Segundo a companhia, o etanol será produzido na fábrica de Piraí (RJ) com o álcool retirado no processo produtivo das cervejas, como a Brahma. “O produto é enviado a nosso parceiro em São Paulo, que transforma a substância em gel.”

As garrafas PETs para embalar o produto serão feitas na fábrica em Jundiaí (SP). Cada hospital público vai receber 5 mil unidades do gel, que devem começar a ser entregues ainda nesta semana. Boticário, Natura (em parceria com a São Martinho), Companhia Nacional de Álcool (CNA) e Ype também vão produzir álcool gel para doar a órgãos públicos. No caso da Ype, a planta de Amparo (SP) foi adaptada para fabricar o produto.

Natura e Avon também doaram 2,8 milhões de unidades de sabonete (em barra e líquido) para comunidades carentes na América Latina. No Brasil, parte da doação será destinada a populações mais sensíveis de São Paulo, Pará e Bahia – Estados onde as empresas mantêm operação.

Outros grupos optaram pela doação de dinheiro para suprir a carência de equipamentos na saúde pública. A família Menin, que controla a construtora MRV, Banco Inter e LOG CP, decidiu doar R$ 10 milhões ao governo de Minas para comprar respiradores.

“Essa crise é muito séria. Não sabemos se vai durar 60, 90 ou 120 dias. E, numa situação dessas, não dá para colocar tudo nas costas do governo”, diz o presidente da MRV, Rafael Menin. Na avaliação dele, em pouco tempo vai faltar de tudo, de leitos a respiradores. “Por isso, a nação tem de estar unida. Outras empresas tem de adotar o mesmo comportamento para termos um efeito coletivo.”

Menin afirma que, depois de muita pesquisa, eles conseguiram encontrar um estoque de 850 respiradores, que vão custar R$ 60 milhões. A princípio, a família Menin vai arcar com R$ 10 milhões e outras empresa de Minas o restante. A chegada dos equipamentos no Brasil deve levar de dois a três meses. “Estamos vivendo como numa guerra. E em guerra tem de se unir e não medir esforços para ajudar a sair da crise”, disse Menin.

O fundador e presidente do Conselho de Administração da Marfrig, Marcos Molina, também convoca outras companhias brasileiras a adotarem iniciativas de união e solidariedade com a sociedade brasileira. A empresa, produtora de carne bovina, vai doar R$ 7,5 milhões para o Ministério da Saúde. O valor será destinado à compra de cerca de 100 mil testes rápidos para diagnosticar o novo coronavírus.

A Magazine Luiza doou 13 respiradores à Santa Casa de Franca, hospital Emílio Ribas e SUS na Vila Guilherme. Os dois últimos receberam também monitores cardíacos. Além disso, a empresa doou 1.000 colchões e 1.000 travesseiros ao estádio do Mangueirão, em Belém (PA), para tirar moradores de rua do ambiente de risco. Segundo a empresa, está em andamento a doação de outros  30 respiradores ao Estado de São Paulo.

A General Motors do Brasil se colocou à disposição de autoridades locais para contribuir com a produção de ventiladores pulmonares. A empresa informa que pode explorar alternativas com fornecedores para essa iniciativa, a exemplo do que está fazendo sua matriz nos Estados Unidos. Também afirma estar verificando em que outras frentes pode contribuir com as comunidades em que está inserida.

Uma iniciativa voltada para os profissionais da saúde foi adota pela startup Turbi, de aluguel de carros por aplicativo. O presidente e cofundador da empresa, Diego Lira, diz que na semana passada, a partir do momento que começou a ver a demanda por carros cair e ao mesmo tempo a situação dos profissionais de saúde deteriorar sensivelmente, decidiu colocar sua frota de quase 700 carros a disposição dessas pessoas.

A empresa decidiu liberar um voucher de R$ 200 para os profissionais. Isso pode significar três diárias ou 20 locações (cada aluguel custa R$ 10 a hora) até 30 de abril. Para utilizar os carros gratuitamente, os médicos, enfermeiros e farmacêuticos deverão enviar por e-mail uma identificação profissional (CRM, COREN, CRF) que comprove o trabalho na saúde.

“Precisamos que os profissionais nos ajude mostrando quais as classes que mais  precisam desse serviço”, diz Lira. A empresa atende São Paulo, Guarulhos e Barueri. “Temos recebido pedido de outras regiões, mas estamos tentando verificar com outras locadoras para aderir à iniciativa.” No setor aéreo, Gol e Latam também estão transportando profissionais de saúde de graça. Os passageiros têm apenas de pagar taxa de embarque.

Também na área de mobilidade, a Volkswagen do Brasil colocou à disposição dos governos de São Paulo e do Paraná, onde o grupo têm fábricas, frota de 100 automóveis e picapes para serem usados em atividades como distribuição de álcool gel ou outros produtos, pessoal da saúde e da área de segurança (patrulhamento pela Polícia, por exemplo).

A empresa também vai doar máscaras para que os governos façam a distribuição onde for necessário. "Temos um estoque de máscaras que usamos em áreas das fábricas, como as de pintura e, se necessário, vamos adquirir mais para serem doadas", informa o presidente da Volkswagen América do Sul, Pablo Di Si. /COLABOROU CLEIDE SILVA

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