Empresas investem mais para reter funcionários

Medo de apagão de mão de obra leva a aumento de vagas de trainees, e estagiários, além da[br]oferta de mais benefícios

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

Há três meses a Shell tenta contratar cinco profissionais na área de exploração e produção de petróleo e gás. São vagas de geofísico de desenvolvimento, petrofísico de carbonatos, engenheiro de reservatório, geólogo de carbonatos e interpretador de sísmica. O salário inicial varia de R$ 6 mil a R$ 16 mil, de acordo com a experiência do candidato.

A dificuldade da Shell é a mesma de outros tantos setores. E, apesar da desaceleração da economia brasileira prevista para este ano, a escassez de profissionais vai continuar, preveem empresas e especialistas.

Empresas mais cautelosas têm dedicado parte de seus investimentos à retenção de funcionários. Foi o que fez a construtora e incorporadora Gafisa. "São as dores do crescimento", diz Rodrigo Pádua, diretor de Gente e Gestão da empresa sobre a falta de profissionais na construção civil. Segundo Pádua, os programas internos de formação de profissionais já começaram a ganhar expressão. A empresa tem atualmente no seu quadro 550 estagiários. Há cinco anos eram 40.

A empresa também turbinou o programa de trainees com mais vagas. Cinco anos atrás eram seis vagas para 4 mil inscritos. No ano passado foram 15 mil inscritos para 40 vagas. "A preocupação passa a ser a retenção desses profissionais, porque eles podem ser recrutados pelo mercado", explica Pádua.

Na construção civil, o aumento de produtividade tornou-se um estratégia importante. "Todo mundo está partindo para processos com menos mão de obra", confirma Paulo Aridan Mingione, diretor Regional de Construção da Odebrecht. Segundo ele, a dificuldade em encontrar profissionais tem elevado, em alguns casos, o prazo de conclusão da obra. "São até três meses a mais de custo fixo que temos de absorver porque faltam profissionais".

A JSL, empresa de logística, optou pela busca de profissionais entre os parentes de seus funcionários. "No nosso caso não basta ter carteira de habilitação para dirigir um caminhão. A característica do nosso negócio prevê que o motorista, que é treinado por pelo menos 30 dias, saiba do setor em que vai atuar, do tipo de produto que vai transportar", diz a diretora corporativa Irecê Andrade.

A companhia aérea Gol optou por um centro de formação de mão de obra. O Instituto Gol, inaugurado em dezembro em Confins (na Grande Belo Horizonte), dá treinamento a futuros profissionais da área de manutenção de aviões. O centro de manutenção da Gol fica na cidade.

Rodolfo Eschenbach, diretor da área de Gestão de Talentos da consultoria Accenture, explica que o apagão de mão de obra aconteceu porque as empresas brasileiras não estavam preparadas para o crescimento tão rápido da economia. Uma alternativa é investir na retenção de profissionais com o aumento de salários e planos de carreiras. "É preciso pensar sempre em como manter a pessoa feliz para que ela não seja corrompida por um salário mais alto", diz.

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