Empresas já captaram R$ 12,75 bi com ações em 2007

Nos dois primeiros meses do ano, as empresas brasileiras captaram R$ 12,75 bilhões no mercado de capitais através do lançamento de ações, debêntures e cotas de fundos, com um total de 57 registros, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esse volume representa acréscimo de 40,35% em relação ao primeiro bimestre de 2006 e mostra a força do mercado acionário neste início do ano. Ao contrário do observado em 2006, em que houve o predomínio na colocação de debêntures, as ações responderam pela maior fatia este ano, com um total de R$ 7,1 bilhões (56% do total).Nem todos os recursos captados através da venda de ações foram para o caixa das empresas, já que houve 6 registros de colocações secundárias, no valor de R$ 3,1 bilhões. Nesse tipo de operações o dinheiro vai para os investidores, como foi o caso da venda de ações da Embraer. Nessa operação, alguns investidores, como o fundo de pensão Previ (funcionários do Banco do Brasil) venderam papéis em carteira, embolsando R$ 1,789 bilhão com a venda de ações da fábrica de aviões no mercado internacional. Outro lançamento expressivo no mercado secundário este ano foi de ações da Suzano Papel e Celulose, em que os vendedores conseguiram R$ 612 milhões.No mercado primário, em que os recursos vão diretamente para as empresas, a CVM registrou 7 ofertas, no valor de R$ 4,023 bilhões. A maior operação foi da GVT, empresa "espelho" do setor de telecomunicações, que atua principalmente na região Sul do País, em concorrência direta com a Brasil Telecom. O maior destaque, porém, foi o grande número de ofertas de empresas do setor de construção, que captaram R$ 2,7 bilhões, com a venda de ações da Tecnisa, Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário, PDG Realty, Rodobens Negócios Imobiliários e Iguatemi Shopping Centers.Outro destaque nesse início de ano foi o grande número de registros de fundos de investimentos em participações (FIP), voltado para grandes investidores e que visa a participar de empresas fechadas, antes que os seus papéis sejam colocados nas bolsas de valores. Ao todo, segundo a CVM, foram registradas 16 operações, com a captação de R$ 3,47 bilhões. Alguns desses fundos foram constituídos especificamente para participação em projetos agropecuários, como o FIP Açúcar e Álcool, da Mellon Serviços Financeiros, no valor de R$ 522 milhões.As colocações de debêntures, que tradicionalmente respondem pelo maior volume de recursos captados no mercado interno, estão em ritmo lento este ano. Até ontem, a CVM havia registrado uma única operação, da Telemar Participações, no valor de R$ 250 milhões, representando menos de 2% do total. No ano passado, dos R$ 125,1 bilhões de papéis colocados no mercado de capitais, mais de metade (55,5%) foram de debêntures, no valor de R$ 69,5 bilhões, com as ações respondendo por 36% (R$ 27 bilhões).Os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), apontados pelos especialistas como um dos instrumentos com maior potencial de crescimento no mercado interno, também captaram pouco no bimestre. Ao todo, a CVM registrou 10 lançamentos de FIDCs, no valor de R$ 748,6 milhões, com queda de 50,6% em relação ao contabilizado em igual período do ano passado. Em 2006, ao todo, esses fundos captaram R$ 12,8 bilhões, representando 10,2% do total no ano passado. Oferta de açõesA CVM está analisando o registro de 22 ofertas de ações, das quais 20 são de abertura de capital e duas para serem colocadas no mercado secundário. A informação é do superintendente de registro da entidade, Carlos Alberto Rebello, em entrevista à Agência Estado. Ele estima um valor total em torno de R$ 14 bilhões, se os lançamentos forem registrados nos preços estimados pelos intermediários financeiros. Somando-se aos R$ 7,1 bilhões já registrados no primeiro bimestre, a oferta de ações no mercado interno poderá atingir R$ 20 bilhões nos três primeiros meses do ano. "É um número de lançamentos muito grande mesmo", realça Rebello, lembrando que em todo o ano de 2006 o total captado com a colocação de ações atingiu R$ 31,4 bilhões. "E já foi um ano de recordes", complementou.Oscilações nos mercadosRebello não se arriscou a prever o impacto que as recentes oscilações nas bolsas internacionais poderão ter no ritmo de colocação de ações ou nos preços dos lançamentos. "Se for uma questão passageira, o impacto poderá ser diluído", ressalva. Mas se os investidores estrangeiros se retraírem em relação aos investimentos em mercados emergentes o impacto poderá ser forte, já que os investidores estrangeiros têm comprado de 60% a 70% dos últimos lançamentos, adverte. "Se eles demonstrarem menor interesse, é possível que nem todos os lançamentos sejam concluídos ou haverá um reflexo mais forte nos preços", complementou.O técnico da CVM lembrou que em maio do ano passado o mercado viveu momentos semelhantes, com grande volatilidade. Após dois meses de turbulência, porém, o mercado voltou ao normal e muitos lançamentos foram retomados. Rebello considerou que a flexibilidade da Instrução 400 foi fundamental para permitir que o mercado se adaptasse à nova situação. Esse mecanismo permite que as empresas e os intermediários financeiros "congelem" um lançamento por até 60 dias úteis (90dias corridos), sem precisar retomar o processo desde o início. "Com o mercado voltando ao normal, os lançamentos são retomados", explicou.Rebello disse que "não sabe" porque o número de lançamentos de ações este ano tem ficado muito acima das ofertas de debêntures, que registrou uma única operação no primeiro bimestre. Ele acha, porém, que as ofertas das debêntures estão sendo retomadas. "Estamos com lançamentos em análise valores superiores a R$ 4 bilhões", afirmou.

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