Empresas japonesas sofrem de déficit de atenção

Analistas apontam falta de foco em grandes grupos fabricantes de eletrônicos, como a Panasonic, que contam com operações diversificadas demais

Hiroko Tabuchi, The New York Times, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

A Panasonic fabrica a maior TV 3D do mundo, com uma tela de plasma de alta definição de 152 polegadas, que custa centenas de milhares de dólares, tão grande a ponto de exibir pessoas no tamanho real. Mas a companhia também vende refrigeradores simples para países mais pobres, que custam US$ 170.

Entre esses dois extremos, ela possui um vasto catálogo de outros eletrônicos de consumo com várias faixas de preço, incluindo quatro tipos de cortadores de pelo do nariz e um aparelho diferente para o mesmo uso no ouvido. Mas por quanto tempo a Panasonic tentará ser tudo para todos os consumidores?

Analistas alegam que a empresa sofre de um déficit de atenção que, segundo eles, é o que atrapalha muitas gigantes japonesas do setor de eletrônicos.

Esse problema, dizem eles, tem sido descuidado pelos administradores dessas empresas e elas acabam cedendo mercado para companhias mais ágeis, com mais foco no consumidor, como a americana Apple e a Samsung, da Coreia do Sul.

Depois dos anos de glória das fabricantes japonesas, na década de 1980, quando os mercados começaram a ser inundados com produtos baratos e a concorrência tornou-se mais intensa, ficou claro que os japoneses teriam de se concentrar em menos produtos, em vez de tentar competir no mercado com centenas de tipos de aparelhos sem nenhuma relação um com o outro.

Mas, apesar das constantes promessas de "escolher e concentrar" -"sentaku to shuchu", um refrão do setor japonês muito usado nos últimos anos -, muitas fabricantes têm lutado para reduzir suas operações e diminuir seu universo de produtos.

Com 385 mil empregados em todo o mundo, a Panasonic continua avançando em todas as frentes. A empresa pretende uma expansão, que vai custar 330 bilhões de ienes (US$ 3,8 bilhões), de suas vendas em mercados emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China, e planeja obter uma receita de US$ 11 bilhões com esses mercados em 2013.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.