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Empresas lutam contra 'brechas' de ineficiência

O mecânico Everton Ferreira da Silva e o ajudante Jackson Silva Santos, que trabalham em uma concessionária Ford em São Paulo, podem até não saber, mas fazem parte do movimento capitaneado pelas empresas em busca de produtividade. Ao dividirem tarefas e usarem um carrinho que contém as peças mais usadas em seu dia a dia - evitando deslocamentos desnecessários ao estoque -, Everton e Jackson ajudaram a elevar o número médio de veículos reparados no box de atendimento da oficina onde trabalham de 6 para 15 por dia.

FERNANDO SCHELLER, Agencia Estado

10 de março de 2014 | 08h17

A iniciativa da montadora faz parte de um movimento de empresas brasileiras em busca de mais produtividade. Para Henrique Teixeira, sócio da McKinsey & Company, os melhores exemplos de ganhos de escala e aperfeiçoamento produtivo no País estão no mundo corporativo. A referência ainda é a gigante das bebidas Ambev, conhecida por sua cultura de resultados, mas ele vê essa preocupação se espalhando por todos os setores. "Definitivamente, a regra para o momento é a redução de custos."

Os ganhos de produtividade começam, normalmente, com um problema. No caso da Ford, a restrição ao crescimento vinha da dificuldade de concessionárias localizadas em grandes metrópoles de aumentar o espaço físico das oficinas em um momento de forte valorização do preço do metro quadrado dos imóveis. Segundo Joaquim Arruda Pereira, diretor de vendas e marketing da área de pós-venda da Ford, era preciso achar uma alternativa.

A questão afetava a concessionária onde Everton e Joaquim trabalham, a Caoa da Avenida Ibirapuera, zona sul de São Paulo. A revenda foi escolhida para um projeto-piloto de trabalho com dois mecânicos em cada box de atendimento, no ano passado. A montadora já estendeu a iniciativa para 15 concessionárias no País. "Estamos identificando os pontos já saturados ou perto de seu limite. É uma boa solução para as grandes cidades", diz o executivo da Ford.

Sobrevivência

Falhas de processos ficam mais evidentes em momentos de crise. A Usiminas viveu isso na pele ao longo dos últimos dois anos. "A gente percebeu, em 2012, que a empresa precisava mudar. Era uma questão de sobrevivência", diz Gileno de Oliveira, gerente-geral de engenharia de processos industriais. Em um momento de demanda mais baixa, a empresa trabalhou para reduzir seus gastos com equipamentos.

Em uma linha que produz placas de aço para a produção de bobinas laminadas, havia oito unidades em operação em Ipatinga (MG) e Cubatão (SP). A saída, conta Oliveira, foi aumentar a produtividade das máquinas mais potentes para produzir a mesma quantidade do produto com seis máquinas. Em outro processo, o de laminação a frio, uma linha mais moderna substituiu duas antigas. Esse processo reduziu a necessidade de operadores e, por consequência, gastos com mão de obra.

O resultado já começou a aparecer no balanço da Usiminas. Segundo o gerente da área de processos industriais, as mudanças causaram uma queda de 7% no custo dos produtos vendidos em 2013, na comparação com o ano anterior. Depois de amargar um prejuízo de R$ 598 milhões em 2012, a companhia fechou o ano passado com um lucro de R$ 17 milhões. Ainda assim, prevê a continuidade do programa de redução de custos.

Moda

A InBrands cresceu fazendo uma série de aquisições de marcas de moda. Há dois anos, teve de fazer uma "parada técnica" para reorganizar a casa e tirar proveito das vantagens de ser uma holding. O presidente da InBrands, Michel Sarkis, diz que a administração e distribuição das diferentes marcas - como Ellus, Richards e VR - foi unificada. Com isso, as despesas gerais e administrativas da InBrands, que representavam 25% da receita em 2011, caíram para 11% no ano passado.

A Natura também está investindo em produtividade, com a meta de fazer os produtos chegarem mais rapidamente aos consumidores. Segundo Ricardo Faucon, diretor de serviços ao cliente da Natura, o investimento em tecnologia tem papel fundamental nesse processo. O novo centro de distribuição da empresa, em São Paulo, poderá processar 2 mil caixas de pedidos por hora. Trata-se de um aumento de 66% na capacidade ao centro de Cajamar, que organiza 1,2 mil pedidos por hora.

À medida que a concorrência aumenta no mercado de beleza, a marca de vendas diretas busca manter sua atratividade em relação ao varejo, que oferece os produtos em pronta entrega. Para aumentar a produtividade das revendedoras, liberando-as para fazer novas vendas, a companhia definiu uma meta ambiciosa: ter 60% de seus produtos entregues em até 48 horas aos clientes. A exemplo do que ocorre com a produtividade como um todo no Brasil, ainda falta bastante para a Natura "chegar lá": em 2013, esse prazo foi cumprido em 34% das vendas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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