Empresas mostram otimismo cauteloso com política industrial

Governo fala em desoneração e criação de linhas especiais de crédito para 24 setores da economia

TAÍS FUOCO, REUTERS

09 de maio de 2008 | 16h44

Aguardada há mais de um ano, apolítica industrial que o governo federal anuncia na próximasegunda-feira, batizada de Política de DesenvolvimentoProdutivo, desperta nas associações que reúnem os diversossegmentos do setor um misto de euforia e cautela. O governo fala em desoneração e criação de linhas especiaisde crédito para 24 setores da economia, com quatro macrometas,divulgadas na quinta-feira pelo Palácio do Planalto: elevar oinvestimento direto na economia, estimular a inovação, elevar aparticipação do país nas exportações globais e aumentar onúmero de micro e pequenas empresas exportadoras. "Vamos rezar", afirmou, em tom de brincadeira, Ralph LimaTerra, vice-presidente executivo da Associação Brasileira dasIndústrias de Base (Abdib). O segmento de bens de capital sob encomenda, representadopela Abdib, apresentou ao governo um conjunto de 29 sugestõespara recuperar a competitividade perdida nos últimos anos,segundo Terra. Ele afirmou que, em diversas reuniões com membros dogoverno, a entidade recebeu sinalização de que "boa parte,senão a totalidade" das sugestões será contemplada na política."A expectativa é a mais positiva possível", ressaltou. Na área tributária, a Abdib sugere a criação de um regimefiscal especial para a indústria de bens de capital sobencomenda, de forma que o ICMS seja diferido para o usuário dosequipamentos. A idéia é evitar o pagamento de ICMS sobrematérias-primas, partes, peças e componentes em cada etapa dacadeia produtiva. Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira daIndústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), destacou que aindústria "viveu nos últimos dias uma enxurrada de notícias queabalam a confiança do empresariado e podem retrair a decisão deinvestimento". Entre essas notícias, ele citou "o aumento expressivo dainflação" e a queda no índice de confiança do consumidor, alémdas incertezas sobre a economia norte-americana. Esses fatostornam a expectativa sobre a política ainda maior. Segundo ele, das solicitações que a Abinee encaminhou aogoverno como propostas para a política industrial, "a única quesabemos que será contemplada é a que inclui as empresas deinformática nos benefícios da Lei de Inovação". As empresas que produzem bens de informática no país járecebem incentivos fiscais como isenção de IPI, desde queapliquem 5 por cento de sua receita bruta anual em pesquisa edesenvolvimento. Com a Lei de Inovação, de outubro de 2005, elas tambémpoderão deduzir do Imposto de Renda os gastos com pesquisa ereceber incentivos pela contratação de profissionais comtítulos de mestrado e doutorado. "Esse é um pleito antigo desse setor e, segundo o ministroSergio Rezende (da Ciência e Tecnologia), será contemplado. Nãotenho mais nada de concreto neste momento", disse ele, emrelação a outras reivindicações da indústria que possam seratendidas. De qualquer forma, Barbato afirmou que está otimista porque"viver sem política industrial só é um bom negócio quando nãose tem as condições atuais do Brasil", afirmou, citando a taxade juros alta, a depreciação do dólar e a carga tributária,considerada elevada. OPORTUNIDADE DE US$ 300 BILHÕES Antonio Carlos Gil, presidente da Associação Brasileira dasEmpresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom)também mostrou cautela ao dizer que "tudo indica que seremoscontemplados", ao comentar as notícias veiculadas na imprensasobre a desoneração da folha de salários do setor de software. Segundo ele, "existe claramente no mundo uma oportunidadede 300 bilhões de dólares", em uma referência ao totalmovimentado no setor de tecnologia em contratos offshore--serviços terceirizados em outro país. Para ele, o mercado indiano, que lidera a prestação deserviços offshore, "vive um certo cansaço" que se reflete, deacordo com o executivo, em aumento de custos e preocupação dosempresários com a concentração em um único país. O Brasil é um candidato natural, segundo Gil, a essemercado, mas "nossos custos não são competitivos". Ele apontou que 70 por cento dos custos do setor estão namão-de-obra e que tais custos, no Brasil, são 50 por centomaiores que na Índia. A desoneração da folha de pagamentos, no entanto, também épleito de outros setores, como o de bens de capital sobencomenda. "Hoje o funcionário custa caro para a empresa eganha pouco", afirmou Terra, da Abdib.

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