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Empresas olham para o mercado de idosos

Empreendedores locais, multinacionais e bancos de investimento garimpam oportunidades geradas pelo envelhecimento do País

Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo,

26 de setembro de 2011 | 16h13

Nas próximas duas décadas, mais de 20 milhões de brasileiros vão se tornar idosos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com mais de 60 anos vai passar de 19 milhões, em 2010, para 40 milhões, em 2030. O processo de envelhecimento populacional começa a tirar da informalidade o mercado que atende às necessidades dos idosos no Brasil. O aumento dessa demanda já atrai a atenção de empreendedores locais, franquias multinacionais e bancos de investimento, que buscam opções para explorar o novo cenário.

A franquia americana de cuidados com o idoso Right at Home, que desembarcou no Brasil há um ano, é um exemplo de profissionalização do setor. Responsável pela introdução do negócio no País, Eduardo Chvaicer sabe que parte do seu trabalho é mudar a mentalidade das famílias. "Cuidador não é empregado doméstico. É difícil explicar que cada situação exige um tipo diferente de profissional. Preciso traçar o perfil de cada cliente em potencial para definir quem vai atendê-lo."

Nos últimos 12 meses, Chvaicer angariou sete clientes fixos, que exigem cuidados 24 horas. A mensalidade sai, em média, por cerca de R$ 5 mil. A Right at Home, porém, está preparada para atender a necessidades específicas, como o caso de um empresário de 97 anos que, ainda na ativa, tem um cuidador que o acompanha durante todo o dia, apresentando-se aos demais funcionários como motorista ou assessor. "Isso exige um tipo de profissional específico, que possa conversar com as pessoas que circulam no ambiente do cliente."

Outro setor que atrai a atenção de investidores é o de casas de repouso de luxo. Inaugurado em 1998, o Solar Ville Garaude, localizado em Barueri (SP), tem 54 hóspedes que pagam uma mensalidade mínima de R$ 6 mil. Apesar do preço, o empreendimento está com a lotação esgotada e tem cinco clientes na fila de espera, de acordo com o proprietário Pedro Garaude Júnior. A experiência do empresário no mercado de idosos atraiu a atenção de um banco de investimento, que procurou Garaude interessado numa associação para a construção de uma segunda unidade.

Após negociar por algum tempo, porém, o empresário decidiu não embarcar no projeto. "Achei o preço que ofereceram pela sociedade muito baixo." Garaude, que gastou R$ 2 milhões para construir o edifício do residencial, há 13 anos, calcula que a mesma obra custaria hoje cerca de R$ 10 milhões. Além disso, o empresário afirma que uma segunda unidade só faria sentido com uma estrutura maior, de 120 apartamentos. "Com a experiência que tenho agora, sei que seria uma boa forma de diluir custos fixos com administração, manutenção e recepção."

Inovações. A profissionalização do setor passa também pela oferta de serviços inovadores, como o TeleHelp, que promete agilizar o atendimento a idosos em casos de acidentes dentro de casa. Oferecido por uma empresa de alarmes, o TeleHelp é um colar ou pulseira para usar o tempo todo. Em caso de uma queda, por exemplo, basta apertar um botão para solicitar ajuda. A central 24 horas da empresa é acionada e inicia os contatos com os parentes ou amigos do cliente para providenciar o resgate.

"Fazemos ligações semanais para conferir o funcionamento do aparelho e temos serviços adicionais, como o que lembra o cliente da hora de tomar os remédios", explica José Carlos de Vasconcellos, sócio da empresa. Ele conta que a TeleHelp tem hoje mais de 2,5 mil clientes, incluindo uma associação com a prefeitura de Joinville (SC), que fornece o produto na rede pública.

Os serviços oferecidos a idosos também levam em conta que, hoje, mais brasileiros passam dos 60 anos com disposição para levar uma vida ativa. Com base nessa realidade, o projeto Age, de São Paulo, oferece ginástica, cursos de dança e palestras culturais para 400 associados, que pagam mensalidades de R$ 250 a R$ 300. Segundo o idealizador do Age, Antonio Carlos dos Santos, a meta é transformar o projeto em franquia. Para ele, o conceito ganhará fôlego graças a uma mudança recente de regulamentação que facilita a inclusão de programas preventivos na lista de serviços das operadoras de planos de saúde.

O poder de consumo do idoso já é evidente para grandes empresas nacionais, como a operadora de turismo CVC, controlada pelo fundo de private equity americano Carlyle. Atualmente, cerca de 30% das vendas de pacotes da empresa são feitas a clientes acima de 60 anos - há cinco anos, a proporção era de 20%. Segundo o diretor de vendas da CVC, Roberto Vertemati, em alguns destinos, como o que incluiu um show de Roberto Carlos em Jerusalém, a participação do público da "melhor idade" chega a 70%.

Embora não tenha produtos específicos para idosos, a Bradesco Seguros promove ações com o objetivo de estudar as necessidades de consumo dessa população. A iniciativa "Porteiro Amigo do Idoso" - que treinou 200 profissionais para potenciais riscos aos moradores de Copacabana, no Rio de Janeiro -, encaixa-se nesse perfil (a proposta será estendida ao bairro de Higienópolis, em São Paulo). Segundo Alexandre Nogueira, diretor da seguradora, o momento é de angariar informações. O objetivo é evitar erros estratégicos e a oferta de produtos sem relação com a realidade atual desse público.

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