Renato Cerqueira/Futura Press
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coluna

Fernanda Camargo: O insustentável custo de investir desconhecendo fatores ambientais

Empresas perdem R$ 489 bilhões em valor

No ano, queda no valor de mercado chega a R$ 1 trilhão; crise do coronavírus tem afetado, principalmente, setor de viagem e turismo

Luís Eduardo Leal e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 04h00

A queda de 14,78% na B3 ontem representou perda de R$ 489,2 bilhões no valor de mercado das empresas, segundo a Economática. No ano, as companhias perderam R$ 1,5 trilhão. De sexta-feira para cá, a Bolsa brasileira caiu de 97.996 para 72.582 pontos – perda de 25 mil pontos em quatro sessões, refletindo a pandemia do coronavírus.

Na segunda-feira, o Ibovespa, principal índice da B3, havia caído 12,17% e, ontem, mais 14,78% – ambas as maiores perdas diárias desde 10 de setembro de 1998, quando o índice caiu 15,83%, em meio à crise da Rússia. O nível de fechamento de ontem foi o menor desde 28 de junho de 2018, quando o Ibovespa havia encerrado aos 71.766,53 pontos.

O circuit breaker – mecanismo automático que suspende os negócios após quedas superiores a 10% – foi acionado duas vezes pela manhã na B3 e, à tarde, uma terceira interrupção ocorreu quando o Ibovespa operava com perdas bem perto de 19% – não houve acionamento do mecanismo, na medida em que a B3 ampliou o limite de flutuação do índice futuro, o que “congelou” tanto o índice à vista como o futuro, com todas as ações do Ibovespa sendo colocadas em leilão. 

A iniciativa deu alívio à pressão sobre o índice, que chegou a cair 19,59%, aos 68.488,29 pontos. Só nesta semana, o circuit breaker foi acionado quatro vezes, algo sem precedentes. 

“Não dá para dizer nada no momento, seria chute. A economia real está parando no mundo: companhias aéreas deixando de voar, hotéis deixando de receber hóspedes, o cliente em geral deixando de consumir, convenções e eventos deixando de acontecer. É um dia de cada vez”, diz Ari Santos, operador de renda variável da Commcor, com 40 anos de experiência e que não se lembra de situação semelhante.

O pânico e os prejuízos que as empresas devem registrar com a crise fizeram as ações das companhias aéreas Gol e Azul despencarem 36,29% e 32,89%, respectivamente. A CVC caiu 29,11%. O setor de viagem e turismo tem sido o mais castigado pela disseminação global do coronavírus. 

Entre as blue chips (ações com maior liquidez na Bolsa), as ações preferenciais da Petrobrás fecharam em baixa de 20,50% e a ordinárias, de 21,08%; a Vale caiu 13,23%. Como tem sido a regra nos últimos dias, nenhuma ação do Ibovespa fechou o dia no positivo. 

Entre os bancos, Bradesco (PN) caiu 13,41%, Banco do Brasil, 13,29%, e Itaú Unibanco, 9,82%. A queda acumulada da B3 chega a 25,93% na semana, após queda de 5,93% na passada e de 8,37% na anterior. No mês, o Ibovespa recuou 30,32% e no ano perde 37,24%. Em relação ao pico histórico de fechamento do Ibovespa, de 119.527,63 pontos em 23 de janeiro, quase 47 mil pontos evaporaram desde então. 

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