Empresas planejam investir 7% a mais este ano

As companhias nacionais e estrangeiras presentes no País pretendem investir um total de US$ 136 bilhões em 2003. Isso significa uma alta de 7% em comparação ao ano passado, quando a economia sofreu os efeitos da crise argentina, do racionamento de energia e dos ataques de 11 de setembro de 2001. O dado faz parte do levantamento anual realizado pela Simonsen Associados, com base nos planos de investimentos anunciados pelas empresas à mídia."O ano passado foi complicado. Na pior das hipóteses, as empresas adiaram seus investimentos. Agora, é preciso ver se eles vão se concretizar", disse o presidente da consultoria, Harry Simonsen Jr. Os setores que planejam mais investimentos são energia, com US$ 27,8 bilhões; extração de petróleo e gás, US$ 24,2 bilhões; e equipamentos de transporte, US$ 10,7 bilhões.No período acumulado de 1995 a 2001, no entanto, liderava a lista o setor de comunicações, seguido por energia e equipamentos de transporte. A área de comunicações agora caiu para a quarta posição (US$ 9,1 bilhões). Isso se deve principalmente aos altos investimentos realizados durante as privatizações no setor de telefonia. O estudo não levou em conta os valores pagos pelas empresas ao governo, mas sim os investimentos realizados após a compra das estatais. "Os investimentos em telefonia foram feitos em um curto período de tempo, conforme exigiam os contratos. Agora terminaram", explicou Simonsen Jr.Extração de petróleo e gás era o nono colocado em 2002. A forte ascensão do segmento deve-se a um anúncio de investimento no valor de US$ 17 bilhões, feito pela Petrobras, no ano passado, com prazo de cinco anos. Merecem destaque também as empresas da área de qualidade ambiental (excluindo órgãos governamentais), cujas intenções de investimento dobraram para US$ 1 bilhão, em comparação ao acumulado de 1995 a 2001. O setor de máquinas e equipamentos eletroeletrônicos, que antes aparecia em oitavo lugar, caiu para a 21ª posição, em razão dos efeitos negativos do racionamento de energia.DescentralizaçãoA região Sudeste continua liderando as intenções de investimento, seguida por Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste. Comparando-se o acumulado de 1995 a 2001 com o levantamento de 2002, a região Sul foi a que menos atraiu investimentos. Antes, respondia por 16,1% das intenções de investimento, mas agora esta taxa caiu para 9,8%. O Norte apresentou a tendência oposta. De 1995 a 2001, respondia por 4,6% das intenções de investimento, e agora corresponde a 11,7%.Estes dados confirmam uma tendência de descentralização de investimentos no Brasil que vem se mostrando há quatro anos, segundo a consultoria. "Esta é uma tendência real de se ter mais país e menos centros de desenvolvimento", disse Simonsen Jr. "Os investimentos no Estado de São Paulo continuam altos em valor, mas em porcentual os de outras regiões cresceram mais rápido."A maioria (63,4%) dos anúncios de intenções de investimento no Brasil foi feita por companhias nacionais, num total de US$ 80,7 bilhões. No exterior, os países do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), especialmente os Estados Unidos, são os que planejam investir maior valor no País - US$ 15,3 bilhões no total. Na União Européia, as empresas espanholas são as que anunciaram maiores investimentos, seguidas pelas italianas e alemãs.MetodologiaO levantamento é feito com base nos anúncios de investimentos veiculados em aproximadamente 700 publicações. O estudo leva em conta os recursos destinados a aumento de produção, infra-estrutura e treinamento de funcionários, por exemplo, mas exclui gastos com publicidade e marketing. Simonsen Jr. reconhece que o estudo não reflete por completo os investimentos realizados, uma vez que nem sempre as empresas revelam seus planos ou os cumprem.Porém, ele afirma que os empresários geralmente conhecem os mercados onde atuam e planejam seus investimentos com a idéia (racional ou por intuição) de que serão lucrativos no futuro. Para ele, o levantamento aponta uma tendência potencial de comportamento da economia. O diretor associado Francisco Marianno sustenta que a análise serve como um indicador de longo prazo.Segundo ele, desde a primeira edição da pesquisa é possível observar dois níveis de investimentos. De 1989 até 1994, os planos ficavam na faixa de US$ 48 bilhões a US$ 54 bilhões, enquanto durante o Plano Real os valores mais do que dobraram, para algo entre US$ 93 bilhões e US$ 127 bilhões, devido ao otimismo dos empresários com a estabilidade econômica prometida pela administração FHC. Se esta tendência se mantiver, as intenções de investimento durante o governo Lula devem ser ascendentes. Excluindo as maiores variações, a pesquisa, apurada desde 1989, mostra um crescimento médio de 10% ao ano nas intenções de investimentos.

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