Empresas quebram, mas executivos continuam ricos

No Lehman Brothers, principais executivos receberam bonificações num total de US$ 1 bilhão entre 2000 e 2008

Louise Story, THE NEW YORK TIMES,

26 de novembro de 2009 | 15h49

Os bancos Bear Sterns e Lehman Brothers pagavam aos seus executivos principalmente em ações, e esses valores mobiliários perderam a maior parte de seu valor quando tais empresas entraram em colapso. Em Wall Street, muitos dizem que esses exemplos mostram que os incentivos na remuneração não foram responsáveis por convencer os executivos de empresas falidas como essas a assumir riscos excessivos.

 

Mas três professores de Harvard contestam essa lógica num novo estudo, dizendo que não passa de lenda urbana a ideia de que executivos do Bear e do Lehman sofreram tanto quanto as empresas em que trabalhavam.

 

Embora os chefes de ambos os bancos de investimentos tenham perdido mais de US$ 900 milhões no valor das ações que possuem, os professores argumentam que é importante levar em consideração também o dinheiro que os banqueiros receberam nos anos anteriores à crise. No Lehman, os cinco principais executivos receberam bonificações em dinheiro e lucros provenientes da venda de ações num total de US$ 1 bilhão entre 2000 e 2008 e, no Bear, os cinco executivos mais importantes receberam US$ 1,4 bilhão, de acordo com o estudo, divulgado domingo pelo Programa de Governança Corporativa da Escola de Direito da Universidade Harvard.

 

A distribuição de riquezas se deu sob a forma de bonificações em dinheiro, além de milhares de ações vendidas pelos executivos quando o preço delas estava nas alturas. A maioria dos executivos vendeu durante este período um número muito maior de ações do que aquele que mantiveram em seu poder quando as empresas achegaram ao fundo do poço.

 

"Não há dúvida de que eles estariam em situação muito melhor se suas empresas não tivessem entrado em colapso", disse Lucian Bebchuk, um dos autores do estudo. "Mas a riqueza desses altos executivos não foi dizimada. A ideia de que eles teriam sofrido uma devastação financeira influenciou a imagem que as pessoas formaram em relação aos pagamentos distribuídos."

 

Muitas das soluções que os governantes e reguladores consideram implementar na remuneração de Wall Street são táticas que já eram empregadas no Bear e no Lehman. Ambas as firmas exigiam que seus executivos esperassem vários anos antes de venderem suas ações. As duas faziam das ações uma parte importante da remuneração oferecida aos executivos.

 

Os críticos da reforma da remuneração indicaram essas duas empresas como exemplos de porque a mudança nas práticas de remuneração poderia não fazer diferença, dizendo que o foco deveria estar no gerenciamento de riscos e na supervisão regulatória, por exemplo.

 

Entretanto, o estudo de Harvard diz que os executivos podem ter encontrado motivos para se concentrarem nos preços que poderiam obter com a venda de ações no curto prazo.

 

Bebchuk tem aconselhado o departamento do tesouro em relação à remuneração oferecida nas empresas resgatadas. Ele defende restrições temporais mais rígidas sobre a venda de ações, além da implementação de mecanismos de devolução com anos de vigência.

 

O estudo não leva em consideração o fato de os executivos terem possivelmente vendido ações para pagar contas pesadas no imposto de renda. Ações não são taxadas até terem sua propriedade transferida para os executivos, o que correspondeu a um período de muitos anos em ambos os bancos de investimento.

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