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Empresas recolhem equipamentos usados

Responsabilidade de coletar embalagens e produtos ao fim de sua vida útil pode se tornar obrigatória em breve

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

O retorno à indústria de produtos e embalagens ao fim de sua vida útil - processo conhecido como logística reversa - começa a atrair o interesse das empresas no Brasil. Atentas ao surgimento de obrigações legais, empresas de setores como eletroeletrônicos e telecomunicações começam a estruturar programas com esse perfil. Com isso, as companhias se antecipam a uma possível obrigatoriedade de serem responsáveis pela destinação dos resíduos - esse é um dos pilares do projeto de lei 1991/07, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que tramita no Congresso e tem grandes chances de ser votado este ano. "Alguns setores serão muito afetados em um futuro próximo, como a indústria de embalagens e bens de consumo. Na Europa, a responsabilidade do retorno dos eletroeletrônicos ao final de sua vida útil já é dos fabricantes", diz Paulo Roberto Leite, presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB). Leite realizou um estudo com 118 companhias brasileiras sobre suas práticas de logística reversa. No Brasil, a prática está mais presente nos setores que já possuem obrigatoriedade de recolher embalagens e produtos ao fim de seu ciclo de vida, como é o caso de pneus e embalagens de agrotóxicos. "Mas existe abertura por parte dos eletroeletrônicos, que estão estruturando suas operações de logística reversa e se antecipando à lei nacional", diz Leite. Nos EUA, o mercado de logística reversa já movimenta US$ 360 bilhões por ano.A TGestiona, unidade de logística do Grupo Telefônica, criou, no final de 2008, uma divisão para centralizar a logística reversa nas empresas do grupo - Telefônica, Terra e Vivo. O propósito é recolher aparelhos obsoletos e com defeitos. Por mês, os volumes chegam a 76 mil unidades retiradas das casas dos clientes e em empresas. "Recolhemos equipamentos de centrais telefônicas, modems para internet, cabos e celulares", explica Marcelo de Sousa, diretor de logística da TGestiona. Os itens passam por avaliação e, conforme o estado, são consertados ou encaminhados para empresas que realizam a reciclagem dos componentes. A divisão de logística reversa ainda não é lucrativa, mas Souza acredita que em breve deve trazer resultado econômico à TGestiona. "O benefício é que passamos a ter um controle maior do descarte desses aparelhos, o que pode se tornar um diferencial competitivo."RESPONSABILIDADEJá começam a surgir em todo o País projetos de lei municipais e estaduais que responsabilizam produtores de bens de consumo a recolher suas embalagens. É o caso de São Paulo - no final deste mês entra em vigor a lei 13.316/02, que obriga os fabricantes a recuperar ou reutilizar as embalagens plásticas.Para Ismael Rocha, especialista em consumo e sustentabilidade da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), as empresas devem se preparar para leis mais duras. "A indústria introduziu tecnologias como as embalagens descartáveis, sem calcular seu impacto ambiental e transferiu o ônus para o consumidor", diz Rocha. " É legítimo que assumam parte da responsabilidade."

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