Empresas reforçam apostas no 1 dormitório

Para construtora, esse tipo de apartamento será líder do ranking na capital neste ano

Heraldo Vaz, Especial para O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 02h12

A febre dos compactos de um dormitório, que queimou a faixa de 28% do total de lançamentos feitos na cidade de São Paulo em 2013, parece não ter fim. "Esse tipo de imóvel será campeão do ranking neste ano", afirma o diretor de incorporação da Brookfield, José de Albuquerque.

No ano passado, somando todos os tipos de apartamentos, foram lançadas 33.198 unidades contra 28.517 em 2012, segundo o balanço anual do Sindicato da Habitação (Secovi), divulgado na semana passada. O setor registrou crescimento de 16,4%.

A maior vedete foi a habitação de um dormitório, com 9.261 unidades lançadas, um salto de 93% em relação às 4.800 de 2012. De 2004 a 2012, a média do segmento era de apenas 8%.

25% do share. Albuquerque toma como base o que "a conjuntura indica" para apostar em mais aquecimento. "O potencial é enorme, são muitas oportunidades", diz. "O segmento representa 25% do nosso share."

A empresa lançou o Brookfield Home Design Pinheiros no último fim de semana. São duas torres com 135 apartamentos, de 44 a 85 m². A maioria (54%) é de um dormitório: 73 unidades. O condomínio, com serviço de concierge, terá piscina e salão de jogos na cobertura.

A diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelli, diz que há muitos projetos de um dormitório na prateleira. "O problema é que demoram demais para ser aprovados", acrescenta. "O resultado deste ano será parecido com o de 2013."

Foram vendidos 8,4 mil imóveis de um dormitório, o dobro dos 4,2 mil comercializados em 2012. Segundo a executiva, o segmento vai manter a vice-liderança, posição conquistada no ano passado, quando ultrapassou os três quartos, ficando atrás só do campeão: o dois dormitórios.

Bolso. Para Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi, o fator preço é uma das razões do sucesso do um dormitório. "Com tíquetes baixos, essas unidades cabem no bolso do comprador", afirma ele.

Mirella cita o monitoramento feito pela Lopes para justificar sua previsão positiva. "Ainda há muita coisa para sair dentro dessa realidade de mercado, com um preço que caiba no bolso do cliente", comenta.

Para ela, o principal ponto para valorização do imóvel é sua localização. Outro item importante, diz, é um "projeto que diferencie o empreendimento". E, para fechar o tripé, a infraestrutura de lazer, com "academia bem equipada e boa piscina".

Mirella também destaca a "tendência da oferta de serviços pay per use" para atender às necessidades dos moradores.

O aquecimento no segmento de um dormitório, segundo o presidente do Secovi, Claudio Bernardes, puxou para cima o valor do metro quadrado dos residenciais em 2013. Esse tipo de imóvel, de acordo com ele, tem custo maior por m² e, apesar do menor valor total, afetou a média de preços. Os apartamentos novos tiveram, no geral, uma elevação de 20,8%, subindo de R$ 7.200 em 2012 para R$ 8.700 por m².

A Esser investe em compactos. Os lançamentos SP Next Home, na Rua Brigadeiro Tobias, e SP New Home, na Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo, oferecem studios e um dormitório, de 25 a 41 m², com uma vaga na garagem, lavanderia coletiva, espaço gourmet e piscina.

Pouco espaço. "Como são pequenos, sempre têm lavanderia coletiva, livrando o morador de ter máquina de lavar e secar dentro de casa", diz Nick Dagan, diretor de incorporação da Esser.

Dagan diz que, nesses dois lançamentos, "40% foram vendidos para investidores". E aponta a liquidez do um dormitório como propulsor de vendas.

Para este ano, a Esser prepara 12 lançamentos, com foco nos imóveis de um e dois dormitórios, perto de metrô e corredores de ônibus. Em 2013, a incorporadora registrou valor geral de vendas (VGV) de R$ 667,5 milhões. "A meta é entrar no clube do bi, com R$ 1 bilhão de VGV neste ano", afirma.

Baixo Augusta. A Esser concentrou empreendimentos na Rua Augusta, no centro da cidade. "Temos três em construção e dois projetos residenciais para 2014", diz. O Capital Augusta, que deve ficar pronto em 2015, foi lançado em agosto de 2011, com preço médio de R$ 9 mil o metro quadrado na época.

No Bela Augusta, são 165 apartamentos, de 30 a 36 m², em 14 andares. Dagan afirma que, independentemente do tamanho do apartamento, as áreas coletivas têm alto padrão, "com lounge e espaço gourmet bem decorado".

Aumento de 45%. O próximo lançamento deve girar "na faixa de R$ 12 mil a R$ 14 mil" o m², calcula Dagan. Comparando essa estimativa (na média de R$ 13 mil) com os R$ 9 mil do Capital Augusta, a majoração beira 45% em 30 meses no Baixo Augusta.

"O boom assustou", diz ele, referindo-se aos preços. "Quando bateu R$ 10 mil o m², achamos que não iria passar, mas subiu a R$ 12 mil. Agora, um lançamento que vamos fazer em Pinheiros vai sair por R$ 16 mil. Mas o custo da construção aumentou, os terrenos também, além do dissídio da mão de obra."

José de Albuquerque, da Brookfield, diz que "não existe a menor possibilidade" de queda de valor dos imóveis. "Não vai haver explosão de preços como já ocorreu, mas vai descolar da inflação", afirma o diretor.

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