Empresas retomam projetos de expansão

As empresas começam a tirar o pé do freio e a retomar planos de investimentos que haviam sido engavetados nos últimos dois anos. Entre os projetos há desde a ampliação da produção até a construção de novas fábricas, caso da alemã Lumberg, que está chegando ao País para produzir componentes para telefones celulares na Zona Franca de Manaus (AM), depois que o produto importado perdeu competitividade com a alta do dólar. Apesar do temor dos efeitos negativos de uma possível guerra no Iraque, os empresários estão confiantes no discurso do governo Lula a favor da atividade produtiva e afastando os riscos de mudanças profundas na condução da política econômica. Esse sentimento positivo já foi captado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Resultados preliminares de uma sondagem sobre intenções de investimentos feita no mês passado, com cerca de 1.200 indústrias em todo o País, indicam um aumento de 7% na capacidade de produção em 2003, mais do que o previsto no ano passado. Na pesquisa feita em janeiro de 2002, a previsão era de expansão de 6%. "É um dado surpreendente", diz o chefe do Centro de Estatísticas e Análises da FGV, Salomão Quadros. Um dos melhores exemplos é o da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que anunciou um investimento recorde de US$ 1,8 bilhão, mais do que o dobro do aplicado em 2002, que girou na casa dos US$ 800 milhões. O investimento faz parte do plano estratégico, que destinará cerca de US$ 6,6 bilhões ao longo de oito anos para ampliar a produção da companhia, hoje operando no limite da capacidade instalada. "Um investimento como este é uma demonstração clara de que estamos acreditando no Brasil e no potencial de crescimento da companhia", disse o presidente da mineradora, Roger Agnelli. No rastro da Vale, o diretor de Relacionamento com Investidores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Antônio Ulrich, diz que "a melhora nos resultados e as boas perspectivas para este ano podem levar a companhia a desengavetar projetos de expansão da Usina de Volta Redonda". Já o laboratório alemão Hexal do Brasil decidiu desembolsar cerca de R$ 100 milhões para instalar uma fábrica no município de Cambé, no Norte do Estado. A unidade deverá entrar em operação em meados deste ano, com capacidade para produzir 6 milhões de unidades mensais. O empreendimento deverá criar 600 postos de trabalho diretos. Discos rígidosA Motorola, um dos maiores fabricantes de celulares no País, decidiu investir US$ 4 milhões este ano, para aumentar em 20% a produção na fábrica de Jaguariúna, no interior paulista. A diretora de Marketing, Loredana Mariotto, conta que a decisão de reforçar a produção foi tomada porque as vendas do ano passado cresceram bem acima do esperado. Segundo ela, a Motorola passou a responder por 25% do mercado de celulares no Brasil, 6 pontos porcentuais a mais do que no ano anterior. A coreana Samsung também anunciou a ampliação de investimentos no Brasil, de olho também no mercado externo. De acordo com o diretor comercial de Produtos Digitais, Waldir Benegas, a empresa vai investir US$ 3 milhões para aumentar a produção de discos rígidos (HD) de computadores em Manaus. A capacidade atual, de 800 mil discos por ano, deverá subir para 1,5 milhão. Desse total, cerca de 30% deverão ser exportados para toda América Latina. Além da CSN, outras siderúrgicas, que já operam próximas do limite da capacidade instalada de produção, investem na ampliação e modernização de suas usinas. A Belgo-Mineira, uma das maiores no segmento de aços longos (usados na construção civil e na fabricação de produtos para agropecuária), está desembolsando este ano R$ 320 milhões (R$ 60 milhões a mais do que em 2002). Além de investimentos anunciados no valor de US$ 200 milhões para modernização de siderúrgicas este ano, o Grupo Gerdau deverá bater o martelo no segundo semestre sobre o projeto de construção de uma siderúrgica no Estado de São Paulo. Criado em 2001, o projeto acabou sendo engavetado no ano passado, por causa da crise de energia elétrica e da queda da demanda interna. Ele está orçado em US$ 200 milhões. Maior fabricante de meias no País, a Lupo decidiu investir US$ 6 milhões, acima dos US$ 3,5 milhões de 2002. Segundo o diretor comercial Valquírio Ferreira Cabral Júnior, a Lupo está importando 80 teares da Itália, o que deverá garantir um aumento de 6% na sua capacidade de produção de meias, que hoje é de 7 milhões de pares mensais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.