Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Empresas se adaptam para a baixa renda

O aquecimento das vendas de imóveis para a baixa renda - estimulado pelo programa "Minha Casa, Minha Vida" - provocou uma reviravolta nos negócios das grandes incorporadoras, que não têm experiência nesse mercado. A Gafisa adquiriu o controle da Tenda. A Cyrela optou por transformar a Living em uma empresa com vida própria. A Rossi criou uma nova marca para o setor econômico, a Rossi Ideal. E a PDV aumentou sua participação na Golfarb para 100%. "Acredito que esse movimento voltado para a baixa renda é definitivo. É onde está a demanda, porque concentra 90% do déficit habitacional do País. Os preços médios de vendas das incorporadoras já estão caindo", disse Eduardo Silveira, analista do Banco Fator."Ao longo de 20 anos, tentamos inúmeras vezes entrar na baixa renda, mas nunca funcionou", reconhece Wilson Amaral, presidente da Gafisa. Em 2006, 100% das vendas da Gafisa eram de imóveis de médio e alto padrões. Este ano, após a compra da Tenda e investimentos próprios, a baixa renda vai chegar a 50% das vendas.São poucas as empresas do País que já nasceram no segmento econômico, como Tenda ou MRV. A Rodobens, que atua no interior, também está focada no setor desde que abriu capital. As grandes incorporadoras optam por comprar ou criar companhias novas, porque a dinâmica do negócio é completamente diferente.Alguns exemplos da extensa lista do que muda na vida da empresa ao ir para a baixa renda: o sistema de financiamento é diferente, a busca de terreno é feita na periferia, o nível de padronização do imóvel é maior, o que reduziu a necessidade de arquitetos. Além disso, é preciso buscar fornecedores mais baratos e verticalizar boa parte das operações.Para o negócio funcionar, também é preciso mudar radicalmente o relacionamento com os clientes. Na Tenda, por exemplo, as vendas são feitas em estandes nas obras, mas em lojas, onde os clientes recebem uma consultoria do que comprar e como comprar. O sistema está muito próximo a uma loja de varejo, como a Casas Bahia."Antes da abertura de capital, em 2002, só fazíamos alto padrão, por causa da limitação de recursos. Ao crescer, a empresa desceu o mix de produtos", conta Luiz Rogelio Tolosa, diretor de relações com investidores da Brookfield. Ele disse que o segmento econômico deve atingir 9% das vendas da empresa ainda este ano.

, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.