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Empresas se apresentam para investidores no Venture Capital

Um grupo de 10 empresas se apresentou hoje para potenciais investidores no 7º Venture Forum Brasil, promovido em São Paulo pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento ao desenvolvimento tecnológico e inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Das empresas, seis são de pequeno porte e buscam investidores para se firmar no mercado e quatro querem se lançar na Bolsa de Valores. Todas elas têm em comum o fato de investirem fortemente em pesquisa e desenvolvimento para terem produtos inovadores.A Bematech é uma empresa com faturamento que deve bater a casa dos R$ 70 milhões em 2002. Trabalha com produtos para automação comercial e bancária, tendo como clientes empresas como Itautec, HP, Unisys e IBM. "Todos os acionistas já assinaram um documento em que o compromisso é de abrir capital até o final de 2004 e devemos ir para o novo mercado", explicou Marcel Malczewski, diretor presidente da empresa. "O Venture Forum é o início de um trabalho. A preparação para o evento foi uma espécie de road show, pudemos trazer a diretoria, detalhar nossos planos, metas e projeções, nos treinando para 2004", afirmou.As reuniões com os investidores são feitas a portas fechadas, organizadas pela Bovespa. Malczewski disse que pôde contatar vários investidores e que alguns já se interessaram em investir antes da abertura do capital. Ele também pôde exercitar as práticas de governância corporativa e transparência que vêm sendo cada vez mais cobradas pelos potenciais investidores. "É um passo importante para a empresa no sentido de ter acesso a capitais, independentemente das intempéries do mercado. Na nossa área, não podemos deixar de investir", disse.A empresa aposta em pesquisa e desenvolvimento (P&D), tendo 30 técnicos e engenheiros em seu departamento de desenvolvimento de novos produtos, estabelecendo parcerias com centros de pesquisa e universidades e investindo entre 5% e 8% do seu faturamento bruto em P&D. Nasceu em 1990, fruto de um trabalho de mestrado de seus fundadores, feito no Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná.InvestimentosMalczewski pesquisava uma placa de circuito e software que pudesse trabalhar em qualquer tipo de impressora. Seu sócio, Wolney Betiol, hoje diretor de assuntos estratégicos da empresa, estudava o acionamento de dispositivos de potência de impressoras. Eles fundaram a empresa com um projeto de uma impressora de telex. Em dezembro de 1990, entraram na Incubadora Tecnológica de Curitiba (Intec), onde ficaram até 1992.Para deixar a incubadora, a Bematech contou com o apoio de um grupo de angel investors, pessoas físicas ou companhias familiares que investiram na empresa para que ela se lançasse no mercado. O grupo foi liderado pelo empresário paranaense Marcos Slaviero. Todos esses primeiros investidores continuam sócios da empresa.Em 1995 e 1996, a empresa recebeu investimentos de um fundo de capital de risco, a Dynamo, no valor de US$ 2 milhões. Pôde expandir ainda mais os negócios e hoje já atua nos Estados Unidos. No final do mês, vai inaugurar uma fábrica em Manaus, graças a aquisição da Yanco, que comercializa caixas registradoras.A Bematech busca agora investimentos para expandir seu mercado externo. Terá uma grande demanda com a obrigatoriedade imposta por uma lei no Brasil para que as urnas eletrônicas tenham impressoras. Na última eleição, foram testadas 20 mil impressoras e nas próximas eleições as 40 mil urnas terão o equipamento, que foi desenvolvido pela empresa em parceria com a Unisys.NovatasEnquanto empresas como a Bematech estão em um estágio adiantado de desenvolvimento, procurando investidores para se lançar na Bolsa de Valores, na outra ponta a Finep promoveu uma rigorosa seleção e selecionou as seis melhores empresas nascentes que precisam de financiamento para se lançar no mercado para integrarem o Venture Forum. Foram 250 propostas, mas só 25 foram pré-selecionadas e apenas seis chegaram ao final do processo, se apresentando para o mercado de capital de risco nesta edição do Venture Forum.É o caso da Ignis Games, uma empresa de cinco funcionários e três sócios que está incubada no Intec, em Curitiba, Paraná, e que busca investimento para estruturar melhor a empresa, do ponto de vista de equipamentos e instalações, quando for deixar a incubadora. Também querem investidores para ter mais verba para o marketing do produto que estão lançando, o Erynis, um jogo role playing game (RPG) on line, que funciona em rede, uma febre entre os adoradores de video-game.Voltado para o público dos 13 aos 35 anos, será disponibilizado na Internet (www.erynis.com.br), para dowload. Mais de 1.000 jogadores podem jogar ao mesmo tempo. O usuário pagará uma taxa mensal, que deverá ser de R$ 19,90 para o pacote completo, com direito a todas as atualizações e sem limite de horas de jogo. Outro meio de comercialização do game será parceria com os cibercafés ou LANs, que têm os computadores em rede. Primeiro, será levado ao ar uma versão beta, em dezembro. A versão final será comercializada em março de 2003.A empresa estima que precise de R$ 1,4 milhão para essa fase em que deixará a incubadora. "Estamos grandes demais para ficar lá. Independente do investimento, vamos lançar nosso produto em março", revelou Cesar Augusto Barbado, diretor executivo.Durante um ano e meio, a empresa estudou e desenvolveu a tecnologia para o jogo. Há três semanas, começaram a trabalhar na parte gráfica do game, com cenários e personagens realistas. Os personagens são baseados no folclore brasileiro. "Usamos como referência os livros do Câmara Cascudo, um dos principais estudiosos do folclore nacional", contou Marcos Cruz Alves, diretor financeiro da empresa.Passar pelo processo de seleção para o Venture Forum foi um passo importante no amadurecimento da empresa, segundo Rafael Aguilher da Costa, diretor de informação. "Provou a nós mesmos que temos um projeto consistente", afirmou. Isso porque durante a preparação para participar do fórum, a Finep ajuda as empresas a desenvolverem a plano de negócios e a apresentação que convencerá os investidores das vantagens do seu produto e da viabilidade da sua empresa. Se a Finep achar que a apresentação não está boa, ela não deixa a empresa fazê-la. Isso preserva a empresa, que pode participar depois de outra rodada.

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