Empresas têxteis apostam no varejo

A área de varejo do setor têxtil pode estar caminhando para uma consolidação. A tendência é apontada por empresas como Santista Têxtil e Guararapes. A Santista Têxtil pretende dobrar a participação do setor de vestuário em seus negócios até o começo do ano que vem. A projeção foi feita pelo diretor-presidente da empresa, Herbert Schmid. No primeiro semestre deste ano, a área respondeu por 2% da receita líquida, de R$ 310,2 milhões.A área, criada em janeiro de 99, funciona como uma confecção virtual, fornecendo roupas prontas com a etiqueta do comprador. "Marcas como Levi´s, Wrangler e Ellus não possuem mais fábricas próprias", disse."Depois de 2001, a expectativa é que a área de vestuário cresça 50% ao ano", projetou Schmid. A companhia tem nas Américas seu principal foco de expansão externa. A Santista Têxtil prevê investir um total de R$ 50 milhões até o final do ano. O diretor de relações com investidores da Confecções Guararapes, Flávio Gurgel Rocha, acredita que a participação da empresa no mercado nacional gire em torno de 1%. "O mercado de produção têxtil em varejo fatura cerca de R$ 90 bilhões", afirmou o diretor.Na opinião dele, a área de varejo têxtil brasileira está caminhando para uma consolidação. Segundo Rocha, as três maiores empresas do mercado (C&A, Renner e Riachuelo) devem possuir cerca de 3% do mercado atualmente. Com a consolidação, daqui a dez anos o líder de mercado deverá ter uma participação variando entre 10% e 12%.Analistas tem opiniões diferentes sobre o varejoO analista Bruno Zaremba, do Banco Pactual, concorda com as empresas. Segundo ele, a própria consolidação dos setores consumidores dessas companhias, como o de supermercados, reforçará a tendência. "Quando as empresas compradoras passam a deter uma fatia maior do mercado, elas exercem uma pressão maior para a redução de preços." Essa diminuição em grandes quantidades seria mais fácil para companhias têxteis maiores e com maior capacidade de reduzir custos.O analista da Sudameris Corretora Vicente Koki discorda das avaliações. "Não vejo três ou quatro empresas dominando o mercado, como está ocorrendo no setor de supermercados." Ele lembrou que o peso da economia informal na área ainda é muito grande. Isso faz com que as grandes companhias tenham de enfrentar a concorrência dos produtos mais baratos fabricados pelas microempresas.

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