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Empresas traçam plano para reter técnicos

Carreira em Y estimula profissionais que querem crescer sem virar executivos

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

Nem sempre um bom técnico se torna um bom executivo. Além disso, quando um profissional de uma área estratégica assume um cargo de gestão, deixa de lado a pesquisa e desenvolvimento. Para que esses talentos e conhecimentos não se percam, algumas empresas estão desenvolvendo planos de carreira em Y. O nome se deve ao formato da letra, que simboliza uma bifurcação entre a área técnica e a área administrativa. Isso permite que um especialista evolua na carreira sem ter de assumir a gestão de pessoas. "Muitos profissionais nos dizem que não querem ser líderes de pessoas, mas sim líderes de projetos", diz a gerente geral de Recursos Humanos da Whirpool Latin America, Ursula Angeli. Na companhia, que produz eletrodomésticos, o plano de carreira em Y começou em 2006 para dar uma oportunidade de evolução profissional aos funcionários da área de desenvolvimento de produtos e tecnologia. "Elegemos alguns pré-requisitos técnicos para a entrada e evolução nessa carreira. Analisamos a formação acadêmica, e medimos quanto o profissional produz de novas patentes por ano", explica. Após a implantação do programa, Ursula diz que notou um maior engajamento dos engenheiros, projetistas e designers, contemplados pelo projeto. Outro efeito da carreira em Y foi o aumento no número de patentes registradas pela empresa, que saltou de 22 em 2006 para 43 em 2008. "Somos uma das empresas que mais registra patentes no Brasil", diz.Atualmente, 354 pessoas estão inseridas no plano de carreira em Y da Whirpool. Entre elas está o especialista master em controles eletrônicos, Gerson Eguni, de 46 anos. Ele ocupa o posto máximo da carreira Y na empresa, equivalente a uma gerência na área administrativa. "Eu já estava mais concentrado na área técnica quando surgiu o programa, e tive um estímulo a mais para complementar a minha formação", diz ele. Graças ao incentivo à evolução acadêmica, Eguni concluiu um curso equivalente a um mestrado. De 2006 para cá, ele também foi responsável pelo registro de uma patente da empresa. "Esses foram requisitos importantes para a minha evolução na carreira", diz. Para a sócia-diretora da consultoria de recrutamento e gestão de pessoas Korn/Ferry, Fernanda Pomin, o desenvolvimento de uma carreira em Y traz uma contribuição importante na retenção de talentos das empresas. "Um erro muito comum nas empresas é pensar que o melhor técnico pode ser o melhor gestor de pessoas. Além de não produzir, ele se sente absolutamente desmotivado porque está totalmente fora da zona de conforto", afirma. Segundo ela, um dos maiores desafios das empresas é saber distinguir os perfis dos profissionais que se encaixam na carreira em Y daqueles que podem assumir cargos administrativos. "Normalmente é por meio da área técnica que um profissional se destaca. A partir daí, é preciso testá-lo para ver se pode assumir cargos administrativos", diz. Na Braskem, empresa do ramo petroquímico, a carreira em Y é destinada a um restrito número de funcionários. Atualmente, nove pessoas ocupam parte dos 11 cargos desenhados no plano. "A escolha é feita por um comitê de carreira técnico que define os profissionais aptos a serem admitidos no programa", afirma Ricardo Lyra, responsável corporativo por Pessoas e Organização na empresa. Entre os critérios observados, estão a atividade acadêmica, formação, tempo de experiência, número de patentes registradas e contribuição dada para a empresa. O programa foi criado em 2008, com o objetivo de reter conhecimento na empresa. "Começamos a perceber que não tínhamos como reter conhecimento, porque os especialistas viam que, para ascender profissionalmente, tinham de ir para a coordenação." Após o início do programa, diz Lyra, mais profissionais passaram a se interessar pela área técnica.

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