Bruno Namorato/ Divulgação
Bruno Namorato/ Divulgação

‘Empresas vão à Bolsa pois querem crescer’, diz executivo do Itaú BBA

Executivo diz acreditar que as empresas veem o momento como uma oportunidade de capitalização

Entrevista com

Cristiano Guimarães

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

08 de março de 2021 | 05h00

O início de ano foi de recorde para captações das empresas na B3, com mais de R$ 30 bilhões em ofertas de ações, com um impulso das companhias buscando crescimento, tanto orgânico ou por meio de aquisições, comenta o diretor executivo responsável pelo Corporate & Investment Banking do Itaú BBA, Cristiano Guimarães.

O banco tem sido muito ativo nesse mercado, o que levou a um aumento da equipe em 2020 – movimento que deve prosseguir ao longo deste ano, visto que a projeção é de continuidade do aquecimento do mercado de capitais.

O banco esperava tantas operações no início do ano?

O ano começou mais aquecido do que a gente esperava pelo sucesso das ofertas. No começo do ano, o investidor gosta de tomar risco. E o brasileiro estava investindo e o estrangeiro voltando ao Brasil. Foi um conjunto de fatores. 

E quais os objetivos das empresas que estão captando? 

Acho que existe uma vontade generalizada de crescer e elas veem o momento como uma oportunidade de capitalização, tanto para um movimento de crescimento orgânico ou para consolidação. As empresas estão basicamente colocando dinheiro para dentro para realizarem investimentos.

Algum destaque entre os setores?

Dois setores se mostram bem promissores: saúde e tecnologia. Via de regra, querem comprar para crescer. No tema tecnologia, ainda, as fronteiras são menores e muitas estão fazendo aquisições fora do Brasil. 

E com as empresas capitalizadas veremos mais movimentos de aquisições? 

Sim. Veremos mais transações. É a cristalização de um tema que já começou na pandemia, com empresas repensando seus negócios e buscando competitividade. E para isso há dois caminhos. Comprando competências que ela não têm, de forma a ficar mais competitiva. E uma entrada rápida em um determinado mercado e complementariedade geográfica. 

E quais são os riscos?

Os investidores, especialmente os estrangeiros, estão muito atentos à questão fiscal. Um retrocesso poderá significar um mercado mais seletivo e menos ativo. O exemplo está aí. Tivemos duas semanas ruins de mercado pelo evento Petrobrás e as dúvidas em reação ao respeito ao teto gastos, que gera questionamento relevante dos investidores. E a retomada do nível credibilidade é mais demorado que o tempo que levamos para impactá-la.

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