ÉRICA DEZONNE / ESTADÃO
ÉRICA DEZONNE / ESTADÃO

Empresas cortarão mais investimentos no ano que vem

Pesquisa mostra que 30,8% investirão menos e só 15,7% ampliarão desembolsos

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 21h13

RIO - O número de empresas industriais que pretendem reduzir investimentos em 2016 é maior do que a parcela das que planejam elevar os aportes, informou nesta quinta-feira, 10, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou o Indicador de Intenção de Investimentos. O indicador sinaliza que, no quarto trimestre, 15,7% das empresas estão prevendo investir mais em 2016, e 30,8% estão prevendo investir menos.

O Indicador de Intenção de Investimentos recuou 7,6% no quarto trimestre em relação ao trimestre imediatamente anterior, atingindo 84,9 pontos, o menor nível da série iniciada no terceiro trimestre de 2012. Em relação ao quarto trimestre de 2014, o indicador recuou 21,3%.

Na avaliação de Aloisio Campelo Jr., superintendente adjunto para Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), a queda do indicador indica continuidade da redução dos investimentos, refletindo “o aumento da ociosidade e a baixa confiança empresarial”. O Ibre/FGV projeta que os investimentos cairão 11,9% neste ano e seguirão no terreno negativo em 2016.

Por outro lado, destacou Campelo, a incerteza sobre os planos de investimentos é tão grande que notícias positivas sobre a crise política, no médio prazo, poderiam dar a senha para alguma retomada.

A Sondagem dos Investimentos revela que o porcentual de entrevistados da indústria que considera o “grau de certeza” sobre seus planos como “certo” caiu de 52,4%, no quarto trimestre de 2014, para 34,5% agora. A maioria dos pesquisados passou a classificar seus planos como “quase certo”. No setor da construção, o porcentual das empresas que consideram seus planos “incertos” saltou para 44,2%, ante 28,3% um ano atrás.

Para o especialista, “notícias favoráveis”, como mudanças no cenário que permitissem maior equilíbrio nas relações entre Executivo e Legislativo, abririam espaço até para revisões para cima.

Como não é possível ainda vislumbrar “notícias favoráveis” no horizonte, ponderou Campelo, o Ibre/FGV segue projetando queda nos investimentos

Custos. Os custos industriais continuaram subindo no terceiro trimestre deste ano, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Indicador de Custos Industriais aumentou 2,9% no período em relação ao segundo trimestre, desconsiderando os efeitos sazonais. Foi o quarto trimestre consecutivo de alta. Em relação ao mesmo período do ano passado, o indicador subiu 11%. “O aumento dos custos industriais vem sendo superior ao aumento dos preços dos produtos manufaturados, o que indica uma perda de margem de lucro das empresas”, diz a pesquisa.

Uma das justificativas encontradas para o resultado é a crise econômica que, segundo a CNI, é responsável pela redução de demanda. Só com capital de giro, os custos da indústria subiram 9,5% entre julho e setembro ante o segundo trimestre, um dos aumentos mais expressivos da pesquisa.

Os custos com tributo subiram 0,2% na mesma base comparativa e o custo com produção, que incluem as despesas com bens intermediários, com pessoal e energia, tiveram uma alta de 3,3% no período analisado. COLABOROU RACHEL GAMARSKI

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