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Empresas voltam a se financiar na Bolsa

Operações de renda variável até julho já superam os R$ 20 bilhões

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

A forte alta do mercado acionário no ano e as boas perspectivas para a economia em 2010 estão levando as empresas brasileiras a retornar, aos poucos, para o mercado de capitais. Ontem, foi a vez de a companhia aérea Gol anunciar uma oferta pública - primária e secundária - de ações, que, segundo analistas, pode alcançar quase R$ 1 bilhão (ver ao lado)."Muitas empresas estão se preparando para eventuais aquisições e para planos de investimento", disse Alberto Kiraly, vice-presidente da Comissão de Finanças Corporativas da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). No caso da Gol, o comunicado divulgado aos investidores informa que o objetivo da captação é "reforçar o balanço patrimonial". Procurada, a empresa disse que não poderia se pronunciar por causa do período de silêncio exigido em situações como essa. Segundo Kiraly, a valorização dos papéis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) animou várias empresas a buscar o mercado. "Elas avaliam que, nesse nível de preço, vale a pena captar recursos", observou. Do início do ano até ontem, o Índice Bovespa acumulava valorização de quase 53%. Em 2008, o indicador caiu 41,2%. Kiraly está animado com as perspectivas para o segundo semestre. "Certamente será melhor do que o primeiro." Dados da Anbid mostram que, de janeiro a julho, houve oito operações de renda variável no País, sendo apenas uma abertura de capital (IPO), a da Visanet. No total, envolveram R$ 20,5 bilhões.No mesmo período de 2008, foram 14 operações (sendo quatro IPOs), que somaram R$ 34,4 bilhões. Comparando um período com o outro, houve uma queda de 40,4% nos volumes envolvidos. "Mas, gradualmente, vemos uma normalização do mercado", disse Kiraly. Há, ainda, ao menos outras duas razões que explicam a volta das empresas brasileiras ao mercado de capitais. A primeira delas é a dificuldade de obter crédito no sistema bancário. Não se vê mais uma secura completa de recursos, como no último trimestre de 2008. Mas prazos e custos ainda estão elevados, se comparados ao período pré-aprofundamento da crise (portanto, antes de setembro passado). "A estratégia de qualquer empresa é diversificar as fontes de financiamento", diz Kiraly. "Às vezes, (a escolha) é uma questão de preço ou tem a ver com o limite da capacidade de endividamento." Há, ainda, mais um fator que, segundo banqueiros de investimentos, explica a leve melhora das ofertas de ações. Trata-se da necessidade de empresas que fizeram recentemente seus IPOs de ampliar a quantidade de ações em circulação no mercado (o chamado free float). Em entrevista recente ao Estado, o presidente do Bank of America Merrill Lynch para América Latina, James Quigley, destacou o potencial dessa área de negócio. "Vejo oportunidades para empresas que abriram recentemente o capital fazerem ofertas secundárias e aumentarem o free float."Outro executivo de banco explicou que, ao aumentar a liquidez de seus papéis, uma empresa tende a ser mais valorizada pelos investidores. E cita como exemplo o caso da Hypermarcas, que, em junho, fez uma oferta. De lá para cá, as ações da empresa valorizaram quase 30%, ante uma evolução de 10% do Ibovespa no período.

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