Empréstimo consignado puxa crédito

O crédito às pessoas físicas está crescendo e os empréstimos consignados tomados por funcionários públicos são os maiores responsáveis pelo vigor desses negócios financeiros. Dados do Banco Central (BC) mostram que de março para abril o volume de empréstimos ao consumidor cresceu R$ 5,2 bilhões - desse total, mais da metade, R$ 2,7 bilhões, foi de crédito consignado contratado pelos servidores.O BC também revelou que o crédito para as empresas não teve a mesma performance dos empréstimos concedidos a pessoas físicas.No total, segundo o BC, o crédito de pessoa física passou de R$ 281,5 bilhões, em março, para R$ 286,7 bilhões no mês passado. O movimento não parece ser um fato isolado porque na primeira metade de maio o crescimento se manteve, chegando a 1,5%. Os valores se referem a recursos que os bancos podem aplicar livremente, sem considerar empréstimos cujo direcionamento é regulado por lei.Para as famílias, a taxa de juros caiu 1,3 ponto, atingindo 48,8% ao ano. O spread também caiu 1,3 ponto porcentual, atingindo 38,5%. A queda no custo do crédito é explicada em boa parte pelo crescimento do crédito consignado, que cobra taxas de juros mais baratas. No dado parcial de maio, a queda continua: 0,7 ponto porcentual. Outra explicação para o aumento do volume de empréstimos às famílias é o crédito habitacional, que cresceu 2,6% no mês.Graças à queda do custo dos empréstimos às pessoas físicas, o juro médio dos empréstimos ao total da economia atingiu 38,6% em abril, o menor nível desde junho de 2008. Pelo dado parcial de maio, a taxa média recuou ainda mais, para 38,3%. "Aos poucos, o mercado de crédito está voltando ao que era antes da crise", disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.O total de crédito no sistema financeiro (incluindo recursos livres e regulados) chegou a R$ 1,248 trilhão em abril, ou 42,6% do Produto Interno Bruto (PIB), um crescimento de 0,4% em comparação com março. Os números do Banco Central, divulgados ontem, mostram ainda que, com a crise, a participação dos bancos oficiais nos empréstimos cresceu. Em abril de 2008, respondiam por 34% do crédito, passaram para 38% em abril passado. Em contrapartida, a participação dos bancos privados nacionais recuou de 44% para 42% e fatia das instituições privadas estrangeiras caiu de 22% para 20%, no mesmo período.Altamir Lopes minimizou a queda de 0,5% do volume de empréstimos às empresas, atribuindo o movimento a um efeito do câmbio - parte do crédito é em dólares, convertidos em reais. Como a moeda americana caiu 5,9% no mês de abril, o volume dos empréstimos, expresso em reais, caiu também. COLABOROU CÉLIA FROUFE Mais informações, pág. B3

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