Empréstimo ficou mais caro este ano

O ano termina mais otimista. Mas o que ocorreu ao longo dele, como a crise de energia, os atentados terroristas contra os EUA, a derrocada argentina e a disparada do dólar, afetou as taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras. A combinação desses fatores com a ampliação da inadimplência no segundo semestre bateu direto no consumidor, que passou a pagar mais ao contratar empréstimo. O ano que termina hoje teve início com expansão do consumo na esteira da redução das taxas de juros durante o ano de 2000, estimulada principalmente pelos cortes da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia - e pelo aumento do nível de emprego. A retração que se seguiu com o início do período de instabilidade, por volta do fim do primeiro semestre, foi reforçada também pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar o juro básico, que saiu de 15,25% ao ano em janeiro para 19%, nível em que fecha o ano. A alta da taxa básica, referência dos bancos para a remuneração do investidor nas captações, puxou também o juro na outra ponta, o do crédito. A assistente de Direção do Procon-SP Maria Cecília Thomazelli comenta que uma reversão do cenário foi esboçada apenas a partir de novembro, diante dos sinais de que a economia brasileira havia assimilado boa parte das crises internacional e de energia. Empréstimo continua elevado O que importa para o consumidor é que os custos dos empréstimos permanecem bastante elevados e devem levar ainda algum tempo para cair. É preciso, portanto, segundo especialistas, ter cautela e evitar o uso principalmente do cheque especial, que continua entre as modalidades mais caras de crédito. Maria Cecília lembra que uma saída para evitar danos no bolso é programar os gastos para não atropelar o orçamento. Quem não puder escapar da contratação de um crédito deve optar pelo empréstimo pessoal, que trabalha com taxas menores que as do cheque especial e do cartão de crédito. Pela análise comparativa feita pelo Procon-SP - órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual -, a taxa média mensal do cheque especial ficou em 8,67% e a do empréstimo pessoal em 4,85% ao mês, em 2001. Isso significa uma redução de 0,32 ponto porcentual na taxa média do cheque especial (era de 8,99% em 2000) e um acréscimo de 0,36 ponto porcentual no juro cobrado nos empréstimos pessoais, em relação a 2000. Ainda nessa modalidade de crédito, o Procon constatou que a taxa média mensal de 8,42%, cobrada em janeiro, chegou a 8,90%, em dezembro, uma variação de 5,70%. No empréstimo pessoal, a maior taxa foi de 5,57% ao mês (Bradesco) e a menor, de 3,31% (Bilbao Viscaya - BBV). A diferença entre elas é de 2,26 pontos porcentuais, equivalente a uma variação de 68,28%. Pela análise dos dados obtidos pelo Procon, é possível verificar ainda que os bancos iniciaram o ano cobrando taxa média mensal de 4,22% para o empréstimo pessoal e terminaram com taxa em torno de 5,46% ao mês, o que corresponde a uma variação de 29,38%.

Agencia Estado,

31 Dezembro 2001 | 09h11

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