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Empréstimos da China aos EUA chegam a US$ 739,6 bilhões

Temor sobre segurança de seus ativos em dólar não impedem país asiático de comprar títulos norte-americanos

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

17 de março de 2009 | 12h46

A preocupação com a segurança de seus ativos em dólar não impediu que a China continuasse a aumentar a quantidade de títulos do Tesouro norte-americano em seu poder, com a compra de US$ 12,2 bilhões só no mês de janeiro, o que elevou o valor total de seus papéis a US$ 739,6 bilhões.

 

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Os recursos emprestados pelos chineses aos Estados Unidos até o fim de janeiro superam em mais de US$ 100 bilhões os US$ 634,8 bilhões em títulos do Tesouro comprados pelo Japão, o segundo colocado no ranking.

 

Detentora de reservas internacionais de US$ 2 trilhões, a China se tornou no ano passado o principal financiador do déficit dos Estados Unidos com o restante do mundo. Quando comparado ao estoque de janeiro de 2008, os US$ 739,6 bilhões representam um aumento de 50% no valor destinado por Pequim à compra de títulos norte-americanos.

 

Com um pacote de estímulo de quase US$ 800 bilhões e um déficit na conta corrente que ronda os 10% do PIB, os Estados Unidos precisarão mais do que nunca dos recursos chineses neste ano. E nada indica que Pequim irá reduzir suas compras de títulos do Tesouro norte-americano.

 

Os economistas do banco Standard Chartered estimam que a China terá um superávit em conta corrente de US$ 409 bilhões, o equivalente a 8,2% do PIB. Esses recursos precisam ser investidos e não há nada mais líquido e, em tese, mais seguro, que os títulos do Tesouro dos EUA.

 

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, começou a manifestar preocupação com a segurança dos ativos chineses em dólares em outubro do ano passado. O premiê reiterou sua apreensão na entrevista coletiva que concedeu no encerramento do encontro anual do Congresso Nacional do Povo, na semana passada.

 

"Nós emprestamos uma enorme quantidade de recursos para os Estados Unidos e é claro que estamos apreensivos com a segurança dos nossos ativos e, para falar francamente, eu estou um pouco preocupado", declarou o premiê na sexta-feira.

 

Apesar da preocupação, a China não desenvolveu até agora opções viáveis para o investimento de quantidades expressivas de suas reservas internacionais. O país criou um Fundo Soberano de Investimento com US$ 200 bilhões e o resultado das apostas feitas até agora pelos gestores foi desastroso. O fundo comprou participações financeiras em instituições financeiras norte-americanas pouco antes do estouro da crise no ano passado e perdeu bilhões de dólares desde então.

 

Wen Jiabao defende que parte das reservas seja utilizada em investimentos produtivos no exterior e na compra de ativos estratégicos para a China, como companhias fornecedoras de commodities, petróleo ou detentoras de alta tecnologia. Mesmo que isso ocorra, ainda sobrarão muitos recursos para compra de títulos norte-americanos.

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