Empréstimos do BNDES recuam 6%

De janeiro a maio. banco emprestou R$ 43,5 bi, e projeta chegar ao final do ano com desembolso de R$ 145 bi

Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2011 | 00h00

Em ritmo de contenção do forte crescimento dos últimos três anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou queda de 6% nas liberações nos cinco primeiros meses de 2011, na comparação com igual período de 2010. O banco emprestou R$ 43,5 bilhões até maio e projeta fechar o ano injetando R$ 145 bilhões em crédito para investimentos na economia.

O chefe do Departamento de Estratégia Corporativa do BNDES, Gabriel Visconti, diz que o objetivo do banco é manter o mesmo patamar de desembolsos de 2010, um recorde de R$ 168,4 bilhões, mas descontando os R$ 24,7 bilhões aplicados na capitalização da Petrobrás.

No acumulado em 12 meses até maio, o desempenho do BNDES foi de R$ 140,9 bilhões, 7% menor que o mesmo período imediatamente anterior.

Porém, a média mensal de desembolsos deve apresentar ligeira alta nos próximos meses. "Há um comportamento histórico de demanda maior no segundo semestre. Além disso, temos alguns projetos com previsões de desembolso relativamente grandes até dezembro, principalmente na área de infraestrutura e outros de indústria", disse.

As aprovações subiram 6%, mas as consultas caíram 11% na demanda por crédito no período. O reajuste das taxas de juros das linhas de financiamento subsidiadas pelo Tesouro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), em abril, foi apontado como o principal fator desse recuo. Segundo Visconti, o movimento já era esperado por conta da antecipação de investimentos no primeiro trimestre para aproveitar a taxa antiga.

Pequenas empresas. A terceira fase do PSI, que criou taxas mais atraentes para pequenas e médias empresas, influenciou para que as liberações do BNDES para esse segmento continuassem em alta. Subiram 11%, somando R$ 19 bilhões até maio. Com isso, as pequenas empresas ficaram com 43% dos desembolsos, a maior fatia do segmento no bolo do BNDES nos últimos dez anos, destacou Visconti.

"Isso mostra que as pequenas empresas podem ter acesso aos recursos do BNDES, desmontando o mito de que só as grandes têm acesso", afirmou, atribuindo o desempenho das pequenas principalmente ao crescimento do Cartão BNDES.

Com um limite pré-aprovado repassado por bancos comerciais, o cartão livra os empreendedores da burocracia e da demonstração de garantias para financiar insumos, serviços e equipamentos de valor relativamente baixo. Por isso, embora tenham representado 94% das 290 mil operações do BNDES até maio, pequenas e médias ainda ficam com menos da metade dos recursos do banco.

Apesar das críticas aos efeitos do crédito direcionado do BNDES sobre a economia, em conflito com a política de aumento de juros do Banco Central, Visconti diz que a estabilidade do desembolso em R$ 145 bilhões é um sinal de "maturidade" do banco, após o crescimento durante a crise, e não atrapalha o combate à inflação. No entanto, diz que a manutenção do tamanho do banco em 2012 com reforço de empréstimos do Tesouro, outra controvérsia, será avaliada mais à frente pelo governo diante da necessidade de incentivar investimentos.

"O banco não quer atrapalhar a política monetária e acho que isso não aconteceu", afirmou o executivo.

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