FABIO MOTTA|ESTADÃO
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Empréstimos do BNDES têm queda de 20,4%

No primeiro trimestre, foram liberados R$ 15,1 bilhões; desembolsos para a indústria caíram 46%

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 00h20

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 5,1 bilhões em março, encerrando o primeiro trimestre com R$ 15,1 bilhões desembolsados para empréstimos já contratados, queda de 20,4% em relação a igual período de 2016, já descontada a inflação. O banco de fomento preferiu chamar atenção para dados desagregados, “sinais incipientes de melhoria na demanda”, para argumentar que há expectativa de melhoria da atividade econômica.

Entre os dados positivos está o aumento de 32% nas aprovações da Finame, linha de crédito para financiamento de bens de capital – no primeiro trimestre, foram R$ 4,6 bilhões em empréstimos aprovados. “Já aparecem sinais de que a entrada de operações está melhorando”, disse o chefe do departamento de Políticas Operacionais e Informação do BNDES, Tiago Soeiro.

Ele destacou que o avanço não ficou restrito ao setor agrícola, que desde o fim do ano passado vinha demandando mais financiamento no programa Moderfrota, voltado principalmente para tratores. Embora as aprovações no Moderfrota tenham crescido 13% no primeiro trimestre na comparação com o ano passado, as operações para investimentos em caminhões e ônibus cresceram 9% em valor, enquanto as para máquinas e equipamentos avançaram 128%.

As aprovações gerais – não só da Finame – recuaram 16,3%, para R$ 12,4 bilhões. “Os desembolsos e as aprovações carregam operações que estão há muito tempo no banco”, disse Soeiro, reforçando que os valores liberados não são uma boa medida da atividade econômica porque os projetos financiados pelo BNDES são de longo prazo, ou seja, tiveram crédito contratado em anos anteriores.

Na soma do primeiro trimestre, as consultas, primeira etapa do processo de pedido de crédito, que serve de termômetro do apetite por investimentos, ficaram 14,6% abaixo de igual período do ano passado, registrando R$ 21,2 bilhões. Na área de infraestrutura, porém, as consultas subiram 25% em relação ao primeiro trimestre de 2016, para R$ 9,298 bilhões.

No setor industrial os desembolsos somaram R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre, queda de 46%. Também houve quedas nas aprovações e consultas para projetos da indústria. Segundo Soeiro, esse resultado se deve a efeito um estatístico. Em março de 2016, grandes operações, na casa de R$ 10 bilhões, foram consultadas e aprovadas, o que torna mais elevada a base de comparação com março passado.

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