Encomendas à Sete Brasil podem cair a até 13 sondas

Segundo diretor da Petros, uma das sócias da Sete Brasil, pedido de 29 sondas feito pela Petrobrás não se sustenta no cenário atual

MARIANA SALLOWICZ, MARIANA DURÃO, JOSETTE GOULART , O Estado de S.Paulo

09 Abril 2015 | 02h04

Os acionistas da Sete Brasil começam a discutir opções para tentar viabilizar a empresa nos próximos 90 dias, prazo dado pelos bancos para o pagamento de um empréstimo de R$ 12 bilhões que está em atraso. A redução do número de sondas que foram contratadas pela Sete para serem afretadas à Petrobrás e a busca de uma alternativa ao BNDES no financiamento de longo prazo são os dois temas que estão na mesa.

Ontem, o diretor de investimentos da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, Licio da Costa Raimundo, disse que o número de sondas deve cair de 29 (28 em operação e uma em stand-by) para entre 13 e 17. O contrato de US$ 25 bilhões com estaleiros, portanto, seria reduzido à metade. "Vamos ter um enxugamento. Aquele desenho original já não se sustenta neste momento", afirmou Raimundo, após participar de debate no Congresso ABVCAP 2015, no Rio.

Em evento em São Paulo, outro acionista da Sete, o Bradesco, estava um pouco mais cauteloso em cravar que haveria uma redução do número de sondas. O vice-presidente do banco, Sérgio Clemente, disse, entretanto, que em 90 dias haverá uma "nova Sete, reestruturada". "A Petrobrás tem todo o interesse nessas sondas e o petróleo está aí", disse Clemente.

Mas qualquer solução precisa passar pela aprovação de todos os acionistas, que aportaram R$ 8,3 bilhões na empresa. Alguns sócios propõem, por exemplo, que parte das sondas seja arrendada no mercado internacional e transferida à Petrobrás. Discute-se ainda a capitalização da empresa. Além de Petros e Bradesco, os bancos BTG e Santander e os fundos de pensão da Caixa, Vale e Banco do Brasil estão entre os principais acionistas.

Crédito. O ponto crucial para o sucesso da reestruturação é a obtenção de recursos para financiar a companhia no longo prazo. A Sete Brasil enfrenta dificuldades em obter crédito desde que foi envolvida na Operação Lava Jato. O ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco revelou suposto esquema de corrupção envolvendo a empresa e o BNDES acabou suspendendo a liberação de US$ 3,1 bilhões que financiariam a primeira etapa do projeto e serviriam para pagar os bancos. Entre alguns acionistas há uma certa incredulidade de que seja possível que o BNDES libere esses recursos e novas opções estão sendo estudadas.

"Estou muito esperançoso de que vamos conseguir esse recurso que não veio do BNDES por outras fontes bancárias no Brasil. Mas ainda não estou autorizado a dizer quais", disse o diretor da Petros.

Já o diretor de investimentos da Funcef, fundo de pensão da Caixa, Maurício Marcellini, disse esperar que o financiamento de longo prazo seja do BNDES e que seja liberado nos próximos 90 dias. "A Sete Brasil é um project finance (modelo que tem como garantia o próprio retorno da operação do projeto) que foi muito bem estruturado. Nós entramos com capital, mas dependemos do financiamento de longo prazo do BNDES", disse Marcellini. "A gente espera que esse assunto se resolva em 90 dias. Seria muito ruim para a imagem dos investimentos em infraestrutura do País se não desse certo", disse o executivo, no congresso da ABVCAP.

Para tentar resolver a situação, os credores da Sete também estudam, com os acionistas, uma forma de destravar o financiamento de longo prazo, segundo informou Cassio Vianna de Jesus, chefe de Investimentos Alternativos da Caixa Econômica Federal. O fundo FI-FGTS, da Caixa, é outro dos sócios do fundo de participações que controla a Sete Brasil e é também credor de debêntures no valor de R$ 2 bilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.