Encomendas de bens duráveis nos EUA têm maior queda desde a recessão

As novas encomendas de bens duráveis norte-americanos tiveram em agosto a maior queda em três anos e meio, apontando para uma forte desaceleração da atividade industrial, mesmo com uma medida de planos de gastos empresariais recuperando-se.

Reuters

27 de setembro de 2012 | 10h12

O Departamento do Comércio informou nesta quinta-feira que as encomendas de bens duráveis despencaram 13,2 por cento, a maior queda desde janeiro de 2009, quando a economia estava no meio da recessão. Os pedidos para julho foram revisados para mostrar aumento de 3,3 por cento, em vez de ganho de 4,1 por cento previamente reportado.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que as encomendas de bens duráveis --itens que variam de torradeiras a aeronaves que devem durar pelo menos três anos-- caíssem 5 por cento.

No mês passado, a queda nas encomendas refletiram fraca demanda por aviões e automóveis. A Boeing recebeu apenas um pedido de aeronave em agosto, uma forte queda em relação as 260 de julho, de acordo com informação divulgada no site da fabricante.

Equipamentos de transporte tombaram 34,9 por cento, após avançarem 13,1 por cento em julho. Excluindo transporte, os pedidos caíram 1,6 por cento, depois de recuarem 1,3 por cento no mês anterior. Economistas esperavam que essa categoria mostrasse alta de 0,3 por cento, depois de uma queda previamente reportada de 0,6 por cento.

Encomendas de produtos fora do setor de defesa excluindo aeronaves, uma medida observada atentamente para planos de gastos empresariais, subiram 1,1 por cento, interrompendo dois meses seguidos de fortes quedas. Esse resultado veio acima das previsões dos economistas, que esperavam ganho de 0,5 por cento.

Mas os embarques desses produtos, que são usados para calcular gastos com equipamentos e softwares no relatório do Produto Interno Bruto (PIB), caíram 0,9 por cento, depois de recuarem 1,1 por cento em julho. A fraqueza sugere que o crescimento da economia no terceiro trimestre não deverá melhorar muito em relação ao ritmo anual do período entre abril e junho de 1,3 por cento.

A manufatura, que tem sido o principal motor da recuperação da recessão de 2007 a 2009, foi prejudicada por fracas demandas doméstica e global.

Temores de que o Congresso dos Estados Unidos pode não conseguir evitar um "abismo fiscal" --os 500 bilhões de dólares em cortes tributários que irão vencer e as reduções de gastos governamentais estabelecidas para começarem em 2013 --também deixaram os empresários com menos incentivo para aumentar a produção.

(Reportagem de Lucia Mutikani)

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