Nilton Fukuda e André Dusek/Estadão
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Encontro de Pérsio Arida com petista Aloizio Mercadante agita mundo político e empresarial

Interesse acontece porque Pérsio Arida foi coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2022 | 04h00

É muito mais simbólica do que uma realidade efetiva a aproximação do economista Pérsio Arida com o petista Aloizio Mercadante.

Os dois se reuniram por mais de uma hora e meia, na semana passada, e o vazamento do encontro, que ocorreu na Fundação Perseu Abramo (reduto do pensamento econômico do PT), agitou o mundo político e empresarial.

O interesse geral em torno dessa liga acontece porque Pérsio Arida foi coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin nas eleições de 2018, e o ex-governador de São Paulo se mudou para o PSB para ser vice na chapa de Lula, ainda não oficializada.

Com a aliança política, é natural imaginar que Alckmin venha a ter influência nas costuras em torno de um acordo programático em temas econômicos.

Mas há dúvidas se conseguirá se impor, num ambiente ainda muito hostil a ele dentro do PT, para angariar ascendência na definição das diretrizes de política econômica de um eventual terceiro mandado do ex-presidente Lula.

Outra incógnita é se os economistas próximos ao governador se sentirão confortáveis a entrar nas discussões com os economistas do “PT raiz”. Os dois grupos têm pensamentos diferentes e conflitantes em muitos casos.

Ao Estadão, Pérsio disse na terça-feira que foi uma conversa de ideias sobre propostas para o País, mas sem nenhum tipo de acerto com a candidatura do ex-presidente Lula nas eleições presidenciais deste ano.

Mercadante, por outro, transmitiu a vários jornalistas a mesma mensagem depois que a informação sobre o encontro foi revelada pela agência BAF: “Não há necessariamente compromisso com o programa de governo”.

O movimento de Mercadante tem dois endereços. De um lado, condiz com o movimento político que o Lula está construindo para ganhar a eleição diante de um adversário, o presidente Bolsonaro, disposto a tudo e com a chave do cofre na mão.

Por outro lado, fala para dentro do PT ao sinalizar que o partido está conversando, mas o programa é do partido, que vai incorporar o que julgar relevante.

O segundo recado é importante no momento em que saiu a notícia da colunista Malu Gaspar do jornal O Globo de que o ex-ministro José Dirceu tem mantido reuniões com empresariado e estaria sinalizando que o ministro da Economia seria mesmo político. A intriga que se espalhou nos bastidores em seguida é que não haveria ninguém do PT em postos importantes da equipe econômica. Borbulhas explosivas para o momento atual de pré-candidatura.

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