Endividada, CSN coloca vários ativos à venda

Siderúrgica contrata bancos para se desfazer de imóveis e de fatias em ferrovia e usinas

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2015 | 02h04

Com o endividamento atingindo níveis considerados preocupantes, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch, montou uma ofensiva para reduzir no prazo mais curto possível sua alavancagem. A companhia já contratou bancos de investimentos para venderem um rol de ativos fora do seu negócio principal. A CSN disse que anunciará as primeiras vendas no curto prazo, fato que traria alento à crescente dívida da empresa.

"Iremos desmobilizar ativos periféricos. Acumulamos ótimos ativos e com essa mudança do quadro, com o custo do dinheiro, queda do preço do minério de ferro e situação do mercado interno decidimos concentrar esforços em nosso core business", informou, em teleconferência com analistas de mercado, o presidente da companhia, Benjamin Steinbruch. Segundo ele, a CSN vai trabalhar ainda para controlar seu caixa, reduzir seus custos, buscar melhor colocação de seus produtos com atenção à margem, tudo conjuntamente com o movimento para a venda de ativos.

O recado dado também foi de que Steinbruch, que tradicionalmente figurou na ponta compradora, em posição considerada até mesmo agressiva, está convencido de que a CSN precisará diminuir de tamanho. Agora, destacam fontes de mercado, é ver se o empresário irá aceitar preços "adequados" ao atual cenário econômico.

Entre os ativos passíveis de serem desfeitos estão duas usinas que a CSN detém participações. Na Usina Hidrelétrica de Itá na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a CSN possui uma fatia de 29,5%. Na Usina de Igarapava, entre São Paulo e Minas Gerais, a empresa detém 17,9%.

Também estão à venda ativos de logística, o Tecon Sepetiba (terminal de contêineres), parte de sua participação na ferrovia MRS, além de imóveis e as unidades de embalagens da empresa, a Prada e a Metalic. Há também fatia que a CSN detém na Usiminas. Com esses desinvestimentos, a CSN se focará em siderurgia, mineração e cimentos.

O BTG Pactual, em relatório, comentou que "infelizmente, as condições de mercado para venda de ativos estão longe do ideal e que o seu ativo mais líquido para a venda (ações da Usiminas) está recentemente sob pressão".

Para não ter de apressar o programa de desinvestimento, a CSN alongou suas dívidas de mais curto prazo, disse o diretor executivo da empresa, Paulo Caffarelli. "A palavra de ordem é redução de alavancagem", reiterou.

A alavancagem da siderúrgica seguiu sua trajetória de alta no segundo trimestre e sua relação de dívida líquida pelo Ebitda atingiu 5,61 vezes. O indicador era de 2,71 vezes no mesmo período do ano passado. A divida liquida ajustada da CSN subiu 24% no segundo trimestre, na comparação anual, e alcançou R$ 20,769 bilhões.

Além de estar mergulhada de um alto endividamento a CSN convive com um mercado muito fraco no Brasil, com seus principais clientes, como o setor automotivo, em crise. Como reflexo, a siderúrgica reportou um prejuízo líquido de R$ 615 milhões no segundo trimestre do ano, revertendo, assim lucro líquido de R$ 19 milhões no mesmo período do ano passado e de lucro de R$ 392 milhões no trimestre imediatamente anterior, perdas, aliás, muito maiores do que o esperado pelo mercado. Entre outros fatores que provocaram esse prejuízo está a perda financeira registra pela empresa e o ajuste contábil (impairment) do investimento em ações da Usiminas.

 

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