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Endividada, Expand sofre pressão

Maior importadora de vinhos do País, empresa do irmão da dona da Daslu perdeu a representação de algumas marcas

Emilio Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

Dona de um portfólio de mais de 1,5 mil marcas, a Expand - maior importadora de vinhos do Brasil - enfrenta a desconfiança do mercado e luta contra o avanço de novos concorrentes. Os motivos são dívidas com bancos e fornecedores que chegariam a cerca de R$ 70 milhões e a recente perda de exclusividade na representação de importantes rótulos de vinho no País. Ao longo dos anos, a importadora criada em 1978 por Otávio Piva de Albuquerque se consolidou como a líder de um mercado que movimentou R$ 800 milhões no Brasil no ano passado. Segundo executivos do setor ouvidos pelo Estado, apesar dos problemas, a Expand continua crescendo, especialmente com a abertura de franquias. Hoje a marca tem 38 lojas espalhadas por todo o País.Piva não é o único em sua família a enfrentar problemas nos últimos anos. O empresário é irmão de Eliana Tranchesi, dona da loja de luxo Daslu, condenada a 94 anos de prisão por falsidade ideológica, formação de quadrilha e descaminho (fraude fiscal em importações). Seu outro irmão, Antônio Carlos Piva de Albuquerque, diretor financeiro da Daslu, recebeu a mesma condenação. Os dois aguardam o julgamento de recurso em liberdade. Um dos mais recentes problemas da Expand levou a importadora a perder a representação da marca Antinori no País. Cerca de 7,7 mil caixas do vinho ficaram retidas no Porto de Vitória, no Espírito Santo, pelo não pagamento de impostos que recaem sobre o produto. A carga é avaliada em R$ 1,7 milhão. Após o episódio, a marca italiana teria resolvido renegociar a exclusividade de comercialização de seus vinhos no Brasil. A escolhida deve ser a Winebrands. O mesmo ocorre com outras marcas, dizem os especialistas. O sucesso que acompanhou a empresa, assim como os indícios dos problemas, pode ser medido pelo fato de hoje ser difícil encontrar entre seus concorrentes diretos algum que não tenha pelo menos um funcionário saído da Expand - a Winebrands entre elas. "Sem dúvidas, a Expand é líder do mercado e responsável pela popularização do vinho no País", diz Mathieu Peluchon, diretor da importadora World Wine, ele também ex-funcionário da Expand.Segundo Peluchon, caso os problemas da importadora se confirmem, o mercado será o maior prejudicado. "Quando a líder de um mercado enfrenta problemas, é ruim para as outras empresas, pois pode sinalizar que o setor não vai bem, o que não é verdade", afirma.Apesar de os efeitos da crise financeira terem atingido o setor no início do ano, os empresários afirmam que a tendência agora é de reaquecimento do mercado. Além da dissipação da desconfiança do consumidor, a chegada do inverno é a principal responsável pelas expectativas dos importadores. EXAGEROSEntre os executivos do setor, Piva é conhecido não só por ter popularizado os chamados vinhos finos no País, mas também por suas atitudes ante um mercado fechado. Para alguns, essa é uma das principais causas dos problemas enfrentados hoje por sua empresa. "Se o mercado comportasse cem garrafas de um determinado vinho, ele trazia mil", define Peluchon. "Ele (Piva) simbolizava tudo o que um exportador europeu procurava no importador brasileiro." O executivo da World Wine lamenta a situação e diz acreditar que a importadora deve se recuperar, mas, para isso, terá de diminuir sua participação no mercado. "Alguns exageros foram feitos e, por isso, alguns produtores deixaram de ser pagos", afirma Peluchon. Involuntariamente, isso já está ocorrendo. Além da Antinori, as importadoras do setor miram em outras importantes marcas da Expand. O Zuccardi, de produção argentina, figurou por anos nos catálogos da empresa de Piva. Hoje, faz parte do portfólio de um importadora fundada por outro ex-funcionário do pioneiro no setor. "Muitas vezes são os produtores que estão com ele que nos procuram", diz Peluchon. Procurada pelo Estado, a Expand não se manifestou.

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