Endividada, Infinity põe usinas à venda

Empresa tenta negociar venda de ativos para reduzir parte de sua dívida, de R$ 981,3 milhões, que a levou a pedir recuperação judicial

Gustavo Porto, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

A Infinity Bio-Energy Brasil Participações S.A., controladora de cinco usinas sucroalcooleiras no País, negocia a venda de ativos para minimizar ou saldar parte de sua dívida declarada de R$ 981,35 milhões, que levou a companhia a pedir recuperação judicial no último dia 19 de maio. O pedido foi deferido semana passada pela Justiça e a Infinity tem até 60 dias para apresentar aos credores um plano de recuperação.Ainda na semana passada, o presidente da Infinity, Sérgio Thompson-Flores, procurou ex-proprietários da Central Energética Paraíso (Cepar), localizada em São Sebastião do Paraíso (MG), para oferecer a possibilidade de recompra da unidade, negociada em setembro de 2009. Como ofereceu o mesmo valor investido pela Infinity, em uma época de preço dos ativos sucroalcooleiros em queda, Thompson-Flores teve seu pedido inicial recusado. As negociações ainda seguem.À época da aquisição da Cepar, ainda em construção, a Infinity anunciou investimentos de US$ 52,5 milhões para colocar a usina em operação, o que ocorreu na safra passada. A companhia previa ainda realizar mais dois aportes, de US$ 17,1 milhões e de US$ 16,4 milhões, para ampliar a capacidade de moagem da Cepar, de 844 mil toneladas para 2 milhões de toneladas de cana.Por meio de assessoria de imprensa, a Infinity informou que a venda de ativos é uma das opções que serão colocadas em seu plano de recuperação, bem como a procura por um novo sócio e ainda a busca de linhas novas de financiamento da dívida. O valor total é dividido em R$ 327,5 milhões e em US$ 326,91 milhões, de acordo com a relação entregue à Justiça.A empresa tem 100% do capital aberto na Bolsa de Londres e, segundo Thompson-Flores declarou à época do pedido de recuperação judicial, a decisão ocorreu, principalmente, para a companhia evitar pedidos de falência na Justiça. O executivo apontou ainda a crise econômica mundial, que reduziu a liquidez no mercado, a queda nos preços de açúcar e álcool nos últimos dois anos e a queda na produção na última safra pelo atraso nas entregas de novos equipamentos para justificar o pedido de recuperação.Criada há três anos, a Infinity viu suas as ações que, inicialmente, valiam US$ 4, serem negociadas hoje por centavos de dólar, com uma liquidez de milhares de dólares em negócios mensais. Da dívida total, 35% são de bonds (títulos de dívida) conversíveis com vencimento previsto para 2011, cujo pagamento será renegociado no curso do processo de recuperação judicial. Outros 35% são com bancos e os 30% restantes com fornecedores, leasing e antigos donos das usinas adquiridas, entre elas a Cepar.Mesmo com o processo em curso, a Infinity informa que suas unidades sucroalcooleiras seguem processando a safra 2009/2010 de cana.

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