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Endividadas, estatais brasileiras dispensam 46 mil funcionários em 3 anos

Com planos de demissão e de aposentadoria incentivadas, empresas públicas conseguem reduzir em 8% o número de empregados desde 2014, quando o quadro atingiu seu maior nível; hoje, estatais empregam cerca de 507 mil pessoas 

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2018 | 05h00

Altamente endividadas, as estatais brasileiras se viram obrigadas, nos últimos três anos, a encolher. Tiveram de lançar mão de programas de demissão voluntária e aposentadoria incentivada, além de se desfazer de ativos, para reduzir custos e tentar ganhar produtividade. O resultado dessas medidas é mais visível no novo porte delas: as estatais encerraram 2017 com um quadro de funcionários próximo ao que tinham em 2010. No fim de setembro, elas empregavam 506.852 pessoas, 4,9% menos do que em dezembro de 2016 e 8% menos que em 2014, quando atingiram seu auge. 

Só com os planos de demissão incentivada de 2016 e 2017, essas empresas e o Tesouro Nacional passarão a ter uma economia de R$ 4,9 bilhões, segundo o Ministério do Planejamento. Entre as maiores companhias, a Caixa Econômica Federal e os Correios economizarão, juntas, pelos menos R$ 1,8 bilhão por ano.

“A redução deve resultar frutos benignos, como ganho de eficiência”, diz Silvio Campos, economista da Tendência Consultoria. Para ele, houve uma tendência de “gigantismo” nas estatais até 2014, o que, em muitos casos, gerou resultados financeiros negativos. 

O quadro de funcionários das estatais cresceu quase 30% de 2006 a 2014, chegando a 552,8 mil – um patamar considerado exagerado pela maioria dos economistas.

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“Elas estavam infladas. É natural que, durante a crise, busquem eficiência. A gente viu isso no setor privado também”, afirma a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. “Estamos em um quadro de ajuste fiscal e era preciso mexer nas estatais.” 

Nesse processo de enxugamento impulsionado principalmente pela tentativa de melhora da situação financeira, a Petrobrás foi a que mais diminuiu em número de trabalhadores. Após chegar a 60,7 mil empregados em 2013, a petroleira terminou o terceiro trimestre deste ano com 46,5 mil, uma redução de 23%.

Nos Correios, a maior estatal em quadro de funcionários, o recuo foi de 13,6% desde 2013. Há quatro anos, a empresa tinha 125,4 mil servidores. Hoje, são 108,3 mil.

A redução nos Correios ocorreu, em grande parte, graças a dois planos de demissão incentivada lançados desde 2006. No primeiro programa, foram 6,2 mil adesões, que resultaram em uma economia anual de R$ 840 milhões para a empresa em folha de pagamento. No segundo, foram mil trabalhadores até agora.

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A queda no número de funcionários foi acompanhada de mudanças operacionais, necessárias para uma empresa menor em pessoal. No segundo semestre deste ano, os Correios passaram a operar com apenas duas grandes áreas – comercial e operacional. Antes, eram quatro – de varejo, de encomendas, de logística e postal. Com a reestruturação, 400 postos gerenciais foram extintos, segundo o presidente da companhia, Guilherme Campos.

“Essa economia (gerada com a redução do número de funcionários) nos ajudou a sair da UTI, mas ainda estamos em situação complicada, com caixa muito curto”, diz Campos. Os Correios terão um prejuízo de R$ 2 bilhões neste ano – em parte porque os gastos com as demissões, que serão desembolsados em oito anos, foram contabilizados em 2017. Atualmente, dois terços das despesas da empresa são com salários e benefícios e, dos R$ 19 bilhões do faturamento, 10% vão apenas para o pagamento de plano de saúde dos trabalhadores.

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Ajuste. Na Caixa Econômica, que saiu de 100,7 mil servidores em 2014 para 87,8 mil neste ano, também houve fusões de áreas. Apenas neste ano, 7.235 funcionários aderiram ao plano de desligamento voluntário, o que significará uma economia anual de R$ 1 bilhão após os efeitos dos gastos com o próprio programa.

O economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, destaca que ainda existe espaço para redução do número de funcionários das companhias. Ele lembra que, em alguns momentos, pode ser importante para o Estado usar as estatais como indutoras da economia, mas que, em um momento de ajuste como o atual, é necessário melhorar a eficiência delas. 

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