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Endividado, consumidor busca menos crédito em abril

Demanda do consumidor por crédito em abril recuou 10,2% em 12 meses, o menor nível desde o início do indicador, há cinco anos; enquanto isso, a taxa de famílias endividadas subiu para 62,4%

Álvaro Campos e Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

28 Maio 2015 | 11h27

O porcentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros subiu para 62,4% em maio, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Com muitas contas e dívidas para pagar, o consumidor tem recorrido menos ao crédito.

Também nesta quinta-feira, 28, foi divulgada uma pesquisa da Boa Vista SCPC que mostrou que a demanda do consumidor por crédito caiu 1,2% em abril ante março, descontados os efeitos sazonais.  Em 12 meses, a procura registra baixa de 10,2%. Esta queda é recorde desde a criação do indicador, há cinco anos. 

Na comparação com abril do ano passado, a queda é de 13,8%. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano há retração de 11,2% ante igual intervalo de 2014.

"O consumidor tem sido mais cauteloso em tempos de incertezas. Os fatores macroeconômicos têm contribuído decisivamente para a piora do índice ao longo dos últimos meses. A alta das taxas de juros, a inflação consistentemente elevada e a piora do mercado de trabalho são algumas das variáveis condicionantes deste cenário", dizem os analistas da Boa Vista em nota. A empresa argumenta que uma inflexão da tendência da procura por crédito somente se concretizará com a melhoria da confiança na economia, "cenário factível caso se consolidem os ajustes de política monetária e fiscal, atualmente em curso".

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'O consumidor tem sido mais cauteloso em tempos de incertezas', diz a Boa Vista
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Considerando os segmentos que compõem o indicador, a demanda nas instituições financeiras caiu 2,2% em abril, na margem, enquanto para o segmento não-financeiro a queda foi de 0,6%. Na variação anual, as baixas foram de 14,4% e 13,4%, respectivamente.

Dívidas. A proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso aumentou na comparação mensal, passando de 19,7%, em abril, para 21,1%, em maio. Também houve alta no porcentual de famílias inadimplentes em relação a maio de 2014, quando esse indicador alcançou 20,9% do total de entrevistados.

Além disso, o porcentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, tenderiam a permanecer inadimplentes, também aumentou nas duas bases de comparação, alcançando 7,4% em maio de 2015, ante 6,9% em abril passado e 6,8% em maio de 2014.

"Apesar da moderação no crescimento do crédito, a alta das taxas de juros e o cenário menos favorável no mercado de trabalho, com queda na renda real do trabalhador, provocaram impactos negativos nos indicadores de inadimplência", diz o comunicado da CNC divulgado há pouco. A crise também tem afetado a situação financeira das empresas. A inadimplência das companhias avançou 12,01% em abril

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