José Patrício/ Estadão
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Endividados podem ‘pendurar’ contas atrasadas pela internet

 Site 'Paga Pra Mim' se oferece como alternativa de crédito para inadimplentes

Edgar Maciel, especial para o Estadão,

23 de maio de 2013 | 15h28

SÃO PAULO - Pagar as contas em dia e fugir dos juros é o sonho de todo consumidor endividado. Foi de olho nesse público que uma empresa gaúcha lançou um serviço dedicado a salvar a pele de quem está com o orçamento apertado e não quer ficar com o nome sujo por causa de contas vencidas.

O site 'Paga Pra Mim' se lança no mercado com uma proposta diferente das tradicionais empresas de crédito. Ao invés de emprestar dinheiro, a empresa assume o compromisso de pagar a conta no dia do vencimento e receber o pagamento depois. Com juros, é claro.

A plataforma é inspirada no modelo de pagamento estendido existente nos Estados Unidos. Empresas como 'Bill Me Later' e 'Bill Float' oferecem empréstimos a baixo custo para quitar dívidas.

Os empresários, Alexandre Ferrari, Victor Silveira e Rafael Zatti analisaram o mercado e adaptaram a ideia para a realidade do Brasil, para aproveitar o cenário de endividamento crescente das famílias.

Segundo dados de abril da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 62,9% da população tem dívidas não pagas há mais de 30 dias.

A principal diferença do serviço brasileiro em relação ao americano é a forma de conceder o microcrédito. "Não efetuamos os empréstimos através de depósito em conta", explica Ferrari. "O que fazemos é cadastrar as dívidas em atraso do usuário e fazemos o pagamento por ele".

Ao se cadastrar no site, há a opção de escolha para o período de reembolso: 7, 14 e 21 dias. Na primeira operação, o valor máximo do crédito é de R$ 250.

"O sistema funciona de modo semelhante ao cheque especial ou a um crédito rotativo", diz Ferrari. A diferença fica por conta do valor das taxas de utilização, que variam entre 2% a 6% de juros. Comparado aos bancos, a porcentagem é inferior. De acordo com o levantamento do Procon de São Paulo, o juro médio do cheque especial é de 7,92% ao mês, enquanto no empréstimo pessoal a taxa chega a 5,22%.

Para o site funcionar sem impedimento legal, o serviço Paga Pra Mim não foi classificado como agente financeiro. A empresa funciona como um serviço de extensão de pagamento, o que é homologado pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). É o mesmo formato utilizado por sites como ebay e paypal, que são empresas de comércio eletrônico.

 Operação

Até julho, o 'Paga Pra Mim' vai funcionar através de parcerias com empresas de telefonia celular e internet. Clientes em débito com essas empresas serão apresentados por elas ao serviço, como opção de evitar o ingresso no cadastro de inadimplentes.

Na segunda fase, a plataforma será liberada para todos os interessados. A única dificuldade para os devedores é passar pela análise do crédito. Clientes que já estejam no cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) ou Serasa não poderão ter acesso ao serviço.

A medida, segundo os sócios, é para evitar que a inadimplência se volte contra a empresa. "Numa segunda etapa do projeto queremos excluir essa consulta aos cadastros, mas, por hora, não podemos correr riscos", afirma Alexandre Ferrari.

Para garantir o fluxo de caixa, os empresários estão criando um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, em parceria com instituições financeira. Por mês, serão cerca de R$ 10 milhões aplicados para manter os microcréditos. O site pretende comportar até 20 mil operações mensais.

Como funciona

1 - O interessado preenche o cadastro no site e seleciona os códigos de barra das contas em atraso.

2 - O site oferece a opção de período de reembolso: 7, 14 ou 21 dias. Os juros variam entre 2% e 6%.

3 - O valor inicial do microcrédito é de R$ 250.As contas não podem superar este valor no primeiro contrato.

 

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