Endividamento cai, mas inadimplência sobe em abril

O nível de endividamento dos consumidores da Região Metropolitana de São Paulo caiu em abril em relação a março, mas houve avanço da inadimplência neste mês, segundo a Pesquisa de Endividamento do Consumidor (PEIC) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). De acordo com o documento, divulgado nesta segunda-feira, houve recuo de três pontos porcentuais do número de endividados na região, que passou de 64% para 61%. "O fato de o percentual de consumidores endividados da Região Metropolitana de São Paulo ter recuado, está longe de ser uma boa notícia", disseram os assessores econômicos da Federação no documento. Eles ressaltaram que de março para abril a inadimplência subiu três pontos porcentuais, de 42% para 45%. A PEIC é apurada mensalmente pela Fecomercio-SP desde 2004. Os dados são coletados com aproximadamente mil consumidores na Região Metropolitana de São Paulo. Quitação Os assessores ressaltaram que o número de pessoas que não poderão quitar parcelas em atraso também aumentou. De acordo com a pesquisa, em abril, o contingente de entrevistados dispostos a quitarem, total ou parcialmente, dívidas pendentes passou de 78% para 70%. O grupo dos impossibilitados de pagar seus compromissos aumentou de 21% para 27%. Quanto aos prazos de endividamento, 68% das prestações devem ser liquidadas em até um ano. Para 31,4% dos consumidores, o período até o vencimento total das prestações supera 12 meses. "Apesar da queda no percentual de endividados, houve continuidade da deterioração dos demais indicadores, com mais contas em atraso e menor intenção de saldar dívidas, embora o comprometimento da renda tenha permanecido estável", afirmou o presidente da Fecomercio, Abram Szajman. No contraponto entre abril e igual período de 2005, também foi registrada queda no endividamento, que era de 63%, e estabilidade no universo de inadimplentes. A avaliação dos assessores da Fecomercio é a de que a alta mensal da inadimplência reflete o elevado grau de endividamento dos consumidores no início do ano, fruto de contas relacionadas ao pagamento de Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), além das compras de Natal. "Há, ainda, o efeito da expansão da oferta de crédito, que seduz e leva o consumidor a acumular mais dívidas, comprometendo sua capacidade de pagamento", disseram. Crédito A Federação citou dados do Banco Central, que revelam um crescimento do volume de crédito destinado à pessoa física de cerca de 34% nos últimos 12 meses até fevereiro. Por sua vez, o consignado apresentou, no mesmo período, avanço de 68%. A tendência para os próximos meses, na opinião dos assessores, é a de ampliação da oferta de crédito, redução dos juros e do valor das parcelas mensais, como já foram anunciadas por algumas redes varejistas.

Agencia Estado,

17 Abril 2006 | 15h04

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