Endividamento caiu e intenção de consumo cresceu em outubro

Expansão do crédito e aumento da renda explicam o cenário positivo para o comércio, diz economista da CNC

Jacqueline Farid / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

As famílias brasileiras aumentaram a vontade de consumir e reduziram o nível de endividamento em outubro, segundo mostram pesquisas divulgadas ontem pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A intenção de consumo atingiu o nível mais alto do ano, chegando a 137,5 pontos, com alta de 1,7% ante setembro. O nível de endividamento, por sua vez, caiu para 58,6% em outubro, ante 59,2% no mês anterior.

O economista da CNC, Fabio Bentes, acredita que o varejo vai apresentar crescimento recorde nas vendas este ano, chegando a 10,4%. Ainda segundo ele, o Natal deverá ser bem melhor do que o do ano passado, com alta de 11,2% nas vendas em dezembro ante igual mês do ano anterior.

Todo esse cenário positivo, para o economista, está sendo impulsionado por um conjunto de fatores que "podem ser resumidos em duas palavras, nessa ordem: crédito e renda".

Em relação ao crédito, ele observou que as taxas de juros, mesmo ainda elevadas, estão no menor patamar desta década, enquanto os prazos de financiamento figuram como os mais longos dos últimos anos. "Isso leva o consumo a ter uma pressão menor no orçamento das famílias."

Renda. No caso do rendimento médio dos trabalhadores, ele lembra que, de acordo com a pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento de janeiro a agosto já chega a 6%, porcentual cinco vezes superior à expansão de 1,2% em igual período do ano passado.

Além desses dois fatores, que deverão garantir um Natal historicamente bom para o comércio este ano, Bentes cita também o câmbio, que deverá, segundo ele, inundar a festa de produtos importados, sobretudo bens de consumo duráveis e alimentos próprios da época.

Segundo Bruno Fernandes, analista da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC, a queda no nível de endividamento das famílias em outubro em relação a setembro responde à "injeção de mais recursos na economia, com a antecipação do 13.º salário de várias classes, a retomada forte do consumo no terceiro trimestre e o aumento pontual do custo de vida das famílias com menor renda, devido principalmente à aceleração dos preços dos produtos alimentícios".

Entre os tipos de dívida das famílias endividadas em outubro, o cartão de crédito lidera com folga (71,1%), seguido dos carnês (23,4%), crédito pessoal (11,2%), financiamento de carro (9,0%), cheque especial (7,1%), cheque pré-datado (3,2%), crédito consignado (3,3%) e financiamento de casa (2,9%).

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