Endividamento com financiamento de carro cai em julho

O nível de endividamento do consumidor com financiamento de veículo caiu mais uma vez em julho, o que pode aumentar a margem das famílias para tomar novamente esse tipo de crédito, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

DANIELA AMORIM, Agencia Estado

24 de julho de 2012 | 12h15

De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), entre as famílias endividadas que recebem acima de dez salários mínimos, a fatia que possui financiamento de veículos recuou para 19,7% em julho, após ter ficado em 20,5% em junho. Esse porcentual tinha sido ainda maior em maio, de 26,8%, após o ápice verificado em abril, quando 29,8% das famílias tinham dívidas em financiamento de carro.

"Ainda é um tipo de dívida interessante, o segundo maior entre as famílias que recebem mais de dez salários mínimos. Só perde para o cartão de crédito. Mas, como já atingiu um patamar bem mais alto, há sim espaço para aumentar esse tipo de endividamento", avaliou Marianne Hanson, economista da CNC.

Entre as famílias que recebem até dez salários, o comprometimento da renda com financiamento de veículo é consideravelmente menor, apenas 8% das famílias endividadas declaram possuir esse tipo de dívida.

O resultado da pesquisa mostrou um aumento geral no endividamento, acompanhado de um recuo na inadimplência, o que pode sinalizar que os consumidores estão, aos poucos, voltando às compras.

"Por ter sido acompanhada pela redução do número de famílias inadimplentes, acho que essa alta modesta no porcentual de famílias endividadas é uma boa notícia", afirma Marianne. Isso porque, segundo ela, a cautela das famílias em relação ao endividamento elevado e à tomada de novos empréstimos está impedindo uma recuperação mais forte da demanda e da atividade econômica no Brasil.

No entanto, a economista alerta que ainda não é possível precisar se já houve uma retomada da demanda. "(Os consumidores) Voltaram a consumir, mas é cedo para dizer se vai ser uma tendência. É apenas a segunda alta consecutiva, mas ainda está abaixo do que a gente observou em 2011", contou.

O porcentual de famílias com dívidas subiu de 57,3% em junho para 57,6% em julho. No entanto, em julho do ano passado, essa fatia era de 63,5%.

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