Marcos Santos/USP Imagens
Marcos Santos/USP Imagens

Endividamento das famílias atinge maior taxa desde outubro

Mais de 46% das famílias brasileiras estão endividadas; comprometimento de renda está em 22,09%

Célia Froufe, Agência Estado

25 de março de 2015 | 14h58


BRASÍLIA - O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro começou 2015 em alta. Conforme dados divulgados nesta quarta-feira, 25, pelo Banco Central, essa relação passou de 46,21% em dezembro para 46,35% no primeiro mês do ano, a taxa mais elevada desde outubro do ano passado. A instituição começou a fazer o levantamento em janeiro de 2005. 

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses, mas sofreu revisão metodológica e, por isso, teve a divulgação suspensa no mês passado. A instituição passou a incorporar agora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE. Além disso, também começou a levar em conta as alterações feitas pelo próprio BC na nota de crédito que, entre outras mudanças, agora registra informações relativas aos cartões de crédito. 

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento apresentou leve queda em janeiro, ficando em 28,04% da renda anual. Em dezembro do ano passado estava em 28,04%. Esta taxa de dois meses atrás - a mais recente disponibilizada pelo BC - é a mais baixa desde março de 2009, quando os reflexos da crise internacional de um ano antes estavam mais latentes. Na ocasião, estava em 28,01%.

Ainda segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 22,09% em janeiro - estava em 21,97% no mês anterior. O dado, apresentado com ajuste sazonal, voltou exatamente para o mesmo nível de abril do ano passado. 

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, há uma dinâmica de arrefecimento no crédito ao consumo desde 2013. Para ele, uma explicação para esse desempenho é o mercado imobiliário. "Houve desaceleração e a tendência é de continuidade de desaceleração do crédito imobiliário", disse.


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.