André Dusek/Estadão
O Banco Central divulgou que, em meio à pandemia, o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde em outubro do ano passado, chegando a 50,3%.  André Dusek/Estadão

Endividamento das famílias bate recorde na pandemia, mostra BC

Índice de 50,3% é o maior da série histórica, iniciada em 2005; entram na conta todas as dívidas com bancos

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2021 | 13h14

BRASÍLIA - Com a pandemia de coronavírus, o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde em outubro do ano passado. Dados divulgados nesta quinta-feira, 28, pelo Banco Central mostram que, naquele mês, o endividamento chegou a 50,3%. Esse é o maior porcentual da série histórica, iniciada em 2005.

O porcentual reflete o saldo das dívidas bancárias das famílias em relação à renda acumulada em 12 meses. Entram na conta todas as dívidas com bancos, incluindo as de financiamento imobiliário.

Ao avaliar o endividamento recorde, o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, afirmou que os 50,3% não são “um indicativo de que agora teremos problemas”. “Mas (o dado) tem que ser olhado por bancos e famílias”, ponderou. Os números são um pouco mais defasados do que a divulgação dos dados de crédito, com resultados fechados até dezembro de 2020.

Conforme o BC, o endividamento das famílias sem considerar financiamentos imobiliários atingiu 29,3% em outubro.

Os números do BC mostram ainda que o comprometimento da renda das famílias com as dívidas bancárias chegou a 21,7% em outubro. Nesse caso, o número reflete quanto da renda é destinado ao pagamento do serviço da dívida todos os meses. O valor de 21,7% também é o maior da série histórica, mas já havia sido verificado também em setembro de 2015. Sem o financiamento imobiliário, o comprometimento da renda das famílias atingiu 18,9% em outubro do ano passado. 

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Crédito bancário fecha 2020 com alta de 15,5%, a maior em oito anos

Resultado foi afetado pela crise causada pela pandemia, que forçou famílias e empresas a buscarem empréstimos nos bancos

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2021 | 10h45

BRASÍLIA - O estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 15,5% no ano passado e superou em 2020 a marca de R$ 4,018 trilhões, informou nesta quinta-feira, 28, o Banco Central.  

A alta foi a maior, para o crédito bancário em um ano fechado desde 2012, quando o avanço foi de 16,44%, para R$ 2,368 trilhões. 

No fim de 2019, o estoque do crédito em mercado estava em R$ 3,478 trilhões. O crescimento registrado, de R$ 539,369 bilhões em 2020, representa o maior aumento nominal desde o início da série histórica do BC, em 1991.

Os dados são influenciados pelos efeitos da pandemia de covid-19, que colocou em isolamento social boa parte da população e reduziu a atividade das empresas - em especial, nos meses de março e abril. Em meio à carência de recursos, famílias e empresas aumentaram a demanda por algumas linhas de crédito nos bancos.

Em um ano marcado pelo coronavírus, que levou o governo federal a lançar iniciativas na área de crédito, as concessões no crédito livre (recursos que os bancos podem emprestar sem seguir as regras do governo) subiram 1,2% em 2020, para R$ 350 bilhões. No crédito para pessoas físicas, as concessões caíram 2,1%, para R$ 180 bilhões. No caso de empresas, as concessões subiram 4,8% em 2020, para R$ 170,0 bilhões.

O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) terminou 2020 em 54,2%.

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Juro bancário médio cai em 2020, mas taxa do cartão de crédito avança

Taxa fechou o ano em 25,5% ante 33,4% em dezembro de 2019; no cartão, o juro passou de 318,8% ao ano para 328,1%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2021 | 10h57

BRASÍLIA - Em meio aos efeitos da pandemia do coronavírus sobre a economia, a taxa média de juros no crédito livre (recursos que os bancos podem emprestar sem seguir regras do governo) fechou 2020 em 25,5% ao ano, informou nesta quinta-feira, 28, o Banco Central. Em dezembro de 2019, essa taxa estava em 33,4% ao ano.

Os dados apresentados pelo BC são influenciados pelos efeitos da pandemia, que colocou em isolamento social boa parte da população e reduziu a atividade das empresas - em especial, nos meses de março e abril de 2020. Em meio à carência de recursos, famílias e empresas aumentaram a demanda por algumas linhas de crédito nos bancos.

Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre (que exclui as operações do BNDES, do crédito rural e de financiamentos imobiliários) terminou o ano em 37% ao ano, contra os 46% cobrados em dezembro de 2019. A taxa média cobrada das empresas passou de 16,3% ao ano em dezembro de 2019 para 11,7% ao ano em dezembro de 2020.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa passou de 247,6% ao ano em dezembro de 2019 para 115,6% ao ano em dezembro de 2020.

Desde julho de 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Em 6 de janeiro de 2020, o BC passou a aplicar uma limitação dos juros do cheque especial, em 8% ao ano (151,82% ao ano).

Além da limitação do juro, os dados refletem uma revisão realizada na série histórica do BC. De acordo com a autarquia, os números passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Antes, era considerado todo o período de atraso. Essa mudança fez com que o nível do juro no cheque especial, na nova série histórica, fosse menor em anos anteriores.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), fechou 2020 em 18,4% ao ano. Em dezembro de 2019, estava em 22,6%.

A queda dos juros bancários médios e das operações com pessoas físicas aconteceu em um momento de recuo da taxa básica de juros da economia. No ano passado, a Selic foi baixada pelo BC para 4,5% ao ano (dezembro de 2019) para 2% ao ano (mínima histórica), patamar atual.

De acordo com o BC, o chamado "spread" bancário (diferença entre quanto bancos pagam pelos recursos e quanto cobram dos clientes) médio passou de 27,9 pontos porcentuais, em dezembro do ano passado, para 20,9 pontos porcentuais no fechamento de 2020 - uma queda de sete pontos.

Cartão de crédito

A taxa média do cartão de crédito rotativo de pessoa física passou de 318,8% ao ano em dezembro de 2019 para 328,1% ao ano em dezembro do ano passado.

O juro do rotativo é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. Dentro dessa rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 293,3% para 301,9% ao ano de novembro para dezembro. Nesse caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura.

A taxa de juros da modalidade rotativo não regular terminou em 347,7% ao ano - aqui estão incluídas as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro ficou em 148,9% ao ano.

Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou terminou em 55,8%.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

A taxa de inadimplência média dos bancos do crédito com recursos livres, por sua vez, recuou no ano passado, de 2,9%, em dezembro de 2019, para 2,1% no mesmo mês de 2020. No caso das operações com pessoas físicas, a inadimplência passou de 3,5% em dezembro de 2019 para 2,8% no fim de 2020, e nas empresas, caiu de 2,1% para 1,2% na mesma comparação.

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